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Prefeito de Cuiabá pede à polícia investigação de suposta perseguição política contra ele


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O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), protocolou um ofício na Corregedoria Geral da Polícia Civil, nesta terça-feira (22), pedindo investigação contra o delegado Eduardo Botelho, que, segundo o documento, é responsável por duas investigações contra ele, na Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), e alega perseguição política.

Segundo Emanuel, o delegado Eduardo Botelho é amigo do governador Mauro Mendes, que é adversário político dele.

Em nota, o governador disse que aguarda análise da Corregedoria Geral da Polícia Civil “o mais breve possível, com a independência que sempre pautou as ações da instituição”.

A Polícia Civil e o delegado citado ainda não se manifestaram sobre a denúncia.

No ofício, o prefeito diz que o delegado foi nomeado para comandar a Deccor, criada em dezembro de 2019, no atual governo, acumulando os cargos de titular da Deccor e coordenador de Inteligência Tecnológica da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, o que seria ilegal.

Emanuel afirma que o Mauro Mendes fez remanejamentos na Polícia Civil e retirou delegados de funções estratégicas de direção e citou o caso de Lindomar Tófoli, que, em 2019, foi tirado do comando da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) e retornou após entrar com um pedido na Justiça e obter decisão favorável.

Ele alega que, dois inquéritos da Defaz foram encaminhados para a Decoor, e que, “coincidentemente, passaram a compor o acervo da nova delegacia criada pelo adversário político de Emanuel Pinheiro e capitaneada pelo doutor Eduardo Botelho.”

“O adversário político do ora peticionário foi responsável não só pela criação da delegacia na qual tramitam os dois Inquéritos policiais que citam Emanuel Pinheiro, como, mais do que isto, foi indiretamente responsável pela nomeação de um delegado de polícia específico para cuidar do tramite de tais feitos”, diz trecho do documento.

Ele também alega que a nomeação de Botelho não respeitou a ordem de antiguidade de carreira e as regras que proíbem o acúmulo de cargos, fatos que indicam que a nomeação à chefia da Deccor se tratou de uma estratégia inserida em um projeto maior de prejudicar politicamente Emanuel Pinheiro.

De acordo com Emanuel Pinheiro, o aparelhamento estatal para prejudicar adversários políticos é um dos instrumentos de maior violência ao Estado democrático de direito e por isso decidiu entrar com a representação para que providências sejam tomadas.

A prefeitura informou que cópias da representação serão enviadas à presidência da República, à presidência da Câmara dos Deputados, à presidência do Senado Federal, à Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, à Comissão de Segurança Pública do Senado Federal, ao ministro da Justiça, à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), à OAB nacional, à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Gross (Sindjor-MT).

Investigações

Desde o ano passado, duas operações foram deflagradas pela Deccor para apurar suspeita de desvio de verba pública. A operação ‘Chave de Ouro’, que cumpriu mandados em março deste ano, investiga o desvio de aproximadamente R$ 1,4 milhão dos cofres da Empresa Cuiabana de zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb).

Já a Operação Overpriced, que teve duas fases até agora, investiga o sobrepreço na aquisição do medicamento Ivermectina, utilizado no tratamento da Covid-19. O então secretário de Saúde de Cuiabá à época, Luiz Antônio Possas de Carvalho, foi exonerado do cargo, após a operação, que cumpriu mandados de busca e apreensão. Na segunda fase, realizada neste mês, a Justiça determinou o bloqueio de valores no valor de R$ 2.175.219,77 das contas dos investigados.

G1.globo.com