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Mato Grosso

“Quando seu filho se joga no chão e faz birrinha você cede?”, questiona Mendes sobre greve

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O governador Mauro Mendes (DEM) garante que atender à reivindicação dos professores grevistas em Mato Grosso está absolutamente fora de cogitação. A paralisação começou na segunda-feira (27), junto com o corte de ponto dos profissionais por parte do Paiaguás. Em entrevista concedida na manhã desta terça, o democrata afirmou que não há dinheiro para cumprir a Lei da Dobra do Poder da Compra, aprovada ainda na gestão Silval Barbosa, e que parar a Educação não vai adiantar.

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“Quer que eu faça o que? Que crie um caos ainda maior? Que ai depois vai vir mais greve? A saída é o que nós estamos fazendo. Tem outra? Ceder? Quando o seu filho se joga no chão e faz birrinha, você cede? Lamentavelmente, nesse momento, nós temos uma dificuldade muito grande no Estado. Então eu tenho que falar a verdade. É o que eu estou fazendo. Não tem condição. Está lá os números abertos para todo mundo ver. Se alguém achar que tem dinheiro, senta lá do lado do Rogério Gallo e ficar olhando lá todo dia a conta bancária. Não tem dinheiro. Vai dar aumento e pagar como depois? Seja dos professores, seja para qualquer categoria. Isso não é questão de querer, é questão absoluta de não poder”, respondeu o governador.
 
Durante todo o dia de ontem, a Secretaria de Educação do Estado monitorou a adesão a greve em todo o Estado. De acordo com os dados apurados pela pasta, 47% das escolas não teriam aderido ao movimento. “Então é uma adesão pequena, muito abaixo daquilo que o sindicato falou. É verdade que em Cuiabá e Várzea Grande essa adesão é muito maior, mas no interior tem cidades inteiras em que ninguém aderiu à greve. Quero agradecer a esses profissionais da Educação que estão entendendo essa realidade. Nós poderíamos estar na justiça para tentar derrubar essa lei do aumento, mas nós estamos dizendo que não tem condição. O dia que tiver condição, nós podemos dar esse aumento”.
 
Educação comprometida
 
Quase que a totalidade dos recursos que a Seduc tem à disposição está comprometida com folha de pagamento. De acordo com o governador, ceder à pressão da greve neste momento, além de prejudicar o pagamento de salários no futuro, também acabará por precarizar ainda o ensino em Mato Grosso.
 
“Se nós déssemos esse aumento, seguramente nós íamos aumentar o atraso de salário ou complicar ainda mais a péssima infraestrutura da educação hoje. Porque praticamente 94% do que nós mandamos para a secretaria, de todo o orçamento, é gasto com pessoal. Sobra só 6% para transporte escolar, comprar merenda, reformar escola, pagar conta de água, conta de energia, fazer todo o custeio das escolas. Então, se nós dermos esse aumento, ai dali a pouco não vai ter dinheiro é pra nada, nem para transportar os alunos, nem pagar conta de energia. Nós vamos gastar 100% do orçamento com salário e ai as escolas vão ser fechadas por falta de infraestrutura”, argumentou.
 
Mendes ainda sustenta que a greve é resultado da falta de recursos do Estado, mas não da falta de diálogo. “Semana passada houve duas reuniões. Nós estamos abertos para dialogar. Agora, ter diálogo significa fazer o que se pede? Nós sentamos na semana passada na sexta-feira, na semana anterior sentamos com o sindicato. O que mais precisa fazer para demonstrar que estamos dialogando? Nós sentamos duas semanas consecutivas, representantes do governo, a secretária Marioneide, com o secretário Basílio, secretária Marioneide com o secretário da Casa Civil, e foi feito amplas, longas, horas e horas de discussão. O que mais precisa ser feito? Agora, não tem a menor condição hoje, lamentavelmente, não tem. Eu pergunto: vocês, cidadãos estão dispostos a pagar mais impostos para arrumar dinheiro para pagar esses R4 200 milhões? Se fizermos uma pesquisa e a população disser que pode dar o aumento e ai pode aumentar mais impostos em Mato Grosso, eu tenho certeza que ninguém aguenta mais aumento da carga tributária do nosso estado”.

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