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Casal de 18 anos administra food truck e serve cortes nobres argentinos na rua em Cuiabá


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Gabriel Silva Acosta e Kamila Savioli de Jesus têm apenas dezoito anos, mas já administram o próprio negócio e, há quatro meses, viram o número de seus clientes quadruplicar. Namorados há um ano e meio, os dois decidiram, no início de 2018, tomar conta de um antigo trailer do pai de Gabriel, o ‘Track Food Grill’, e desde então fazem sucesso vendendo cortes argentinos de gado Black angus a preços módicos no bairro Duque de Caxias.

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Apesar de ser ‘namoro novo’, o trailer e a ideia são antigos. Nasceram há três anos, quando o pai de Gabriel ficou desempregado. “Ele era bancário. Aí ele saiu, teve uns problemas de saúde, ficou aprendendo sobre comida na internet, e decidiu começa a fazer pra gente”, lembra o jovem. Com o sucesso na família, veio a vontade de começar a vender.

A família instalou o trailer em uma rua próxima ao apartamento deles, e, enquanto o pai assava os cortes argentinos – algo inédito em Cuiabá na época – Gabriel e o irmão trabalhavam como garçons. “Mas não queria saber de nada, só dos meus R$40 no final da noite”, confessa. “E nisso ele [o pai] teve mais problemas de saúde ainda, – a pressão chegou a 24/14 – parou de trabalhar aqui, e ficou só eu e meu irmão tomando conta”.

Não deu certo. Gabriel foi trabalhar no shopping e o irmão ficou à frente do trailer por um tempo, mas acabou abandonando também. “Eu pedi pra sair do shopping, fiquei desempregado umas duas semanas, e andando aqui na rua eu vi o trailer fechado, e falei, cara, acho que eu vou abrir o trailer. Chamei Camila e perguntei, o que você acha? E ela falou, borá!”.

O trabalho começou no dia 2 de fevereiro, assim como o investimento em divulgação, criação de logomarca e, é claro, a ‘mão na massa’.  “A gente não tinha as luzes aqui, não tinha tanta mesa, e já chegou de eu e o Gabriel abrir aqui e atender três pessoas. Era bem fraco, mas a gente estava muito animado, porque a gente não teve o investimento inicial, de comprar o trailer, a grelha, as coisas mais caras, já tinha tudo. Então a gente tinha que fazer isso valer a pena”, lembra Camila.

Com o tempo e o investimento nas redes sociais, os clientes foram chegando e aprovando. “Um exemplo que eu fiquei feliz demais, teve um rapaz que é clientão meu, sempre vêm aí. Ele falou: Gabriel, to chegando ai e vou levar um amigo meu. Beleza, trouxe o amigo dele, mais algumas pessoas, todo mundo gostou. E um dia depois, esse amigo dele trouxe mais umas dez pessoas. E também todo mundo curtiu… e eu acho que é sempre esse giro de pessoas que a gente quer, que dá certo”.

No ‘Track Food Grill’ são servidos os cortes argentinos ojo de bife (ancho) e bife de chorizo. Segundo Gabriel, eles “são bem famosos pela maciez, pelo sabor. São do contra filé os dois, mas são sabores diferentes”. Também estão disponíveis o assado de tira (ripas de costela dianteira), baby beef bombom (alcatra), picanha e peito de frango. Todos os cortes tem 300g, e são servidos com arroz, mandioca, salada, e molhos de requeijão e alho e molho ervado (cebolinha, salsinha, coentro, chimichurri, ervas finas e azeite). Os preços variam entre R$25 e R$35.

Sob encomenda, o casal também prepara cortes especiais, como o tomahawk, shoulder steak e prime rib. “Nosso padrão são 300g, e esses cortes não têm como escolher, tudo depende do boi, de como é cortado no açougue, então não tem como colocar no cardápio porque ele é instável”, explica Camila. Quando o cliente faz a encomenda, o preço varia de acordo com a gramatura da carne, que pode chegar a pesar 1kg.

Para o futuro, os dois pretendem primeiramente começar a atender delivery, depois trocar de trailer, já que, hoje, tem que cozinhar as guarnições e lavar toda a louça na casa de Gabriel, por falta de estrutura. Depois, a ideia é abrir um ponto fixo.

“Eu curto essa parada fina, de ser bem atendido, a sofisticação. Eu gosto disso, um prato bonito, elegante. O talher brilhando o inox”, confessa Gabriel. “Aí que a gente vai tentar entrar com trabalho duro pra não ter tanto funcionário, ser um pouco mais pesado, mas eu quero sempre tentar atender todas as classes”, finaliza.

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