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Mato Grosso

Rival de Arcanjo preso é da família Müller, bisneto de ex-governador e comendador

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O empresário Frederico Müller Coutinho, preso nesta manhã durante a Operação Mantus, é bisneto do ex-governador Júlio Müller e recebeu, em 9 de abril, o título de comendador na Câmara Municipal de Cuiabá. Ele foi um dos delatores da Operação Sodoma, que apurou fraudes na gestão do ex-governador Silval Barbosa.

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De acordo com a Polícia Civil, Frederico lidera uma organização criminosa que comanda parte do jogo do bicho em Mato Grosso. Conforme as investigações, ele é rival de João Arcanjo Ribeiro, também preso nesta quarta (29). Juntos, os dois grupos adversários teriam movimentado, em um ano, mais de R$ 20 milhões no Estado.

Frederico ganhou notoriedade ao relatar fraudes durante a gestão Silval, no âmbito da Operação Sodoma, que culminou na prisão do ex-governador. O empresário trocava cheques no esquema e chegou a passar dinheiro para o então braço direito do ex-governador. Os cheques teriam sido emitidos como parte de um suposto acordo de pagamento de propina ao grupo político de Silval.

Neto de ex-governador, Frederico é filho do ex-presidente da Câmara de Cuiabá, Wilson Coutinho, que foi vereador da Capital nas décadas de 80 e 90. O ex-parlamentar morreu em fevereiro deste ano.

A tradição política da família de Frederico existe há quase 100 anos. Ele é tataraneto do político mato-grossense Generoso Ponce.

Frederico mantém boa relação com diversos políticos do Estado. Em abril, o empresário foi condecorado com o título de comendador, entregue pelo vereador Adevair Cabral (PDT).

Nas redes sociais, o empresário se mostra favorável ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e diz ser contra a corrupção. Em sua publicação mais recente no Facebook, ele manifestou apoio às manifestações favoráveis ao presidente, no último domingo (26).

“Um recado claro e inequívoco está sendo dado hoje ao congresso, o povo está cansado e quer as reformas, quer mudança e não quer o retorno das velhas práticas. Esse povo que foi às ruas apoia o jeito Bolsonaro de fazer política”, escreveu Frederico.

Uma publicação do site Exata News, na data em que ele foi condecorado com a comenda, detalha que Frederico atua no ramo de factoring e recuperação de crédito há 20 anos. Ele investiu em diversos ramos como seguros, imóveis, call center e fomento mercantil.

O jogo do bicho

De acordo com as apurações da Polícia Civil, foi identificada uma acirrada disputa entre os grupos de Arcanjo e o de Frederico em Mato Grosso. Conforme as apurações, houve casos de extorsão mediante sequestro, praticada com o objetivo de manter o controle da jogatina em algumas cidades.

Os investigadores identificaram remessas de valores para o exterior, com o recolhimento de impostos para não levantar suspeitas das autoridades.

Foram decretados os bloqueios de contas e investimentos em nome dos investigados, bem como houve o sequestro de ao menos três prédios vinculados aos crimes investigados.

A Polícia Civil ainda não deu mais detalhes sobre os crimes que teriam sido praticados por Frederico e as penalidades aplicadas especificamente ao grupo dele.

Os suspeitos alvos da operação vão responder pelo crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.

O nome da operação foi inspirado na mitologia grega, onde Manto (em latim, Mantus), significa o deus do mundo dos mortos no vale do rio do Pó. Manto também é conhecido como o Deus do azar, onde chamava atenção de suas vítimas através de jogos, roubando assim suas almas.

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