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Novos feridos na Venezuela chegam a hospitais de Roraima


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Passagem de ambulâncias é liberada por militares de Nicolás Maduro que escoltam a fronteira no país vizinho. Até agora, 13 pessoas foram socorridas em Roraima.

Mais dois indígenas venezuelanos foram socorridos na madrugada desse sábado (23) no Hospital Délio Tupinambá, em Pacaraima, cidade que faz fronteira com o país vizinho. Com estes, sobe para 13 o número de pessoas atendidas em Roraima por confrontos na Venezuela.

Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da região, as duas vítimas foram atacadas com pauladas e balas de borracha. Ainda não se sabe o quadro clínico dos pacientes e onde eles foram agredidos. Ainda não se sabe como o estado de saúde deles.

A fronteira da Venezuela com o Brasil segue fechada por ordem de Nicolás Maduro, mas a passagem de ambulâncias está liberada entre os dois países.

Outros dois indígenas feridos foram entraram no Brasil na noite dessa sexta-feira (22). Inicialmente eles foram atendidos no hospital de Pacaraima, mas devido à gravidade das lesões, foram transferidos para o Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista, distante 215 Km.

No HGR, já haviam outros sete venezuelanos internados vítimas de confronto com militares na comunidade de Kumarakapay. (veja baixo o estado de saúde dele neste sábado, 23).

Essas duas vítimas que chegaram no HGR durante a noite de sexta relataram que uma nova confusão foi registrada em Santa Elena de Uiaren, município que faz fronteira com o Brasil. Este conflito ainda não foi confirmado oficialmente.

Conflito em Santa Elena

De acordo com os socorristas, os feridos disseram que foram atacados a pauladas em conflito próximo ao aeroporto de Santa Elena.

Em entrevista à Rede Amazônica Roraima, a médica venezuelana Mayra Garcia, que acompanhou os dois feridos na noite de sexta, explicou as lesões dos indígenas.

“Eles estão graves. Receberam pauladas na cabeça. Eles vão ter que fazer exames para a gente ver o que realmente aconteceu”, afirmou Mayra.

Em conversa com um dos feridos, a médica confirma o novo conflito entre militares e moradores que aguardam pela ajuda humanitária.

“Eles falaram que foram atingidos por guardas, mas o motivo não sei te precisar, pois a gente sabe que é porque eles querem que essa ajuda humanitária entre na Venezuela”, afirma.

Estado de saúde dos primeiros feridos

Roraima recebe feridos atacados por militares da Guarda Nacional Bolivariana do Exército de Nicolás Maduro desde a manhã dessa sexta (22).

Nove deles foram alvejados na comunidade San Francisco de Yuruaní, em Kumarakapay, distante 80 Km da fronteira. Na ocasião, uma pessoa morreu e várias ficaram feridas, contaram lideranças indígenas à agência de notícias Reuters.

Na manhã deste sábado (23), o G1 conversou com familiares que estavam do lado de fora do hospital e eles informaram o estado de saúde:

  • Fidel Gabriel Pulido Fernandez, 36 – atingido no pescoço e está melhor;
  • Geber Alfredo Perez Rivero, 21 – está consciente. Ele foi atingido com um tiro abaixo do ombro;
  • Kliver Alfredo Perez Rivero, 24 – internado na UTI;
  • Alfredo Perez, 48 – está com a perna operada e foi atingido com um tiro abaixo do ombro (pai de Kliver);
  • Evencio Sosa, 44 – internado e fora de perigo;
  • Onesimo Rigoberto Fernandez, 48 – ainda não se sabe, mas está fora de perigo;
  • Rolando Garcia Martinez, 52 anos – foi dado como morto por um deputado opositor, mas está vivo no HGR internado na UTI;

Ajuda humanitária

 Caminhão com ajuda humanitária para a Venezuela deixa Boa Vista — Foto: Laudinei Sampaio/Rede Amazônica Roraima

Caminhão com ajuda humanitária para a Venezuela deixa Boa Vista — Foto: Laudinei Sampaio/Rede Amazônica Roraima

Nicolás Maduro determinou o fechamento da fronteira para tentar barrar a ajuda humanitária oferecida pelos EUA e países vizinhos, incluindo o Brasil, após pedido do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó. Maduro vê a oferta dessa ajuda como uma interferência externa na política da Venezuela.

Na manhã de sábado (23), dois caminhões da Venezuela saíram da Base Aérea de Boa Vista para levar as primeiras cargas de ajuda humanitária até Pacaraima, na fronteira, escoltados pela Polícia Rodoviária Federal.