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Agronegócios

Safra de produção ou de colheita não garante qualidade de sementes


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A dúvida é comum entre os agropecuaristas: posso comprar sementes de safras passadas sem risco de comprometer o estabelecimento da cultura? A resposta é sim! Nem sempre a data de produção ou de colheita é o melhor indicativo para refletir a qualidade de um lote de semente, sobretudo em forrageiras tropicais.

Outros parâmetros como a germinação, a viabilidade e o vigor das sementes devem ser avaliados e terão reflexo mais expressivo sobre a garantia da qualidade almejada para a melhor instalação de uma pastagem ou lavoura.

“A correta conservação da qualidade fisiológica das sementes é o que irá permitir que lotes de safras passadas possam ser comercializados sem riscos aos produtores. Isso exige das empresas sementeiras estratégias e infraestruturas adequadas para o armazenamento eficiente, que é um fator que implica diretamente na longevidade das sementes”, explica Diego Pereira, especialista em Produção e Tecnologia de Sementes Forrageiras da Barenbrug do Brasil.

De acordo com o especialista, outros fatores como a genética do material e condições de produção a campo influenciam nessa conservação. Durante o processo produtivo, armazenamento e transporte são alguns elementos que devem ser levados em consideração para garantir as propriedades físicas e biológicas das sementes até o momento em que elas realmente serão utilizadas, ou seja, na semeadura.

Para garantir qualidade ao consumidor final, o agropecuarista, é preciso planejamento e adoção de um rigoroso controle de qualidade, viabilizado por profissionais qualificados e treinados, em todas as fases (produção, colheita, pós-colheita, armazenamento e distribuição).

“No caso de gramíneas forrageiras tropicais, existe ainda um complicador na produção que é a dormência inerente às espécies. Geralmente, ela é controlada por dois mecanismos, a dormência fisiológica, presente em sementes recém-colhidas, e a dormência física, imposta pelos tecidos que envolvem a semente, e que está relacionada a restrições à entrada de oxigênio na mesma”, conta Pereira.

De modo geral, a dormência associada ao embrião é progressivamente suprimida durante o armazenamento das sementes, ou seja, é superada com o tempo, e esse mecanismo é diretamente influenciado pelo ambiente em que as sementes se encontram armazenadas. Esse é o principal fator que limita a comercialização das sementes forrageiras na mesma safra. É desejável que elas cheguem para os produtores livres ou com baixo percentual de dormência, caso contrário o estabelecimento da cultura não será satisfatório.

O técnico explica ainda, que o controle de qualidade adotado pela Barenbrug do Brasil se destaca por ser capaz de avaliar a qualidade das sementes em todas as etapas de produção, da colheita ao armazenamento, pois conta com um laboratório próprio (LASBAR) credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), onde avalia-se a qualidade de todos os lotes de sementes.

“Amostras representativas dos lotes são coletadas em diferentes pontos do processo de produção, desde o campo, passando por toda a linha de beneficiamento, incrustação e embalagem das sementes. Elas passam por uma série de análises que asseguram que atendam aos mais altos padrões para a comercialização e acatem a expectativa dos clientes, que buscam uma pastagem eficaz e de qualidade com estabelecimento garantido por uma emergência de plântulas rápida e uniforme”, detalha Pereira.

São essas análises e não a safra de produção do lote, que garante ao produtor a certeza de compra de um produto com elevado padrão de pureza, alta capacidade germinativa e de emergência de plântulas no campo que terão garantia de melhor estabelecimento da sua pastagem ou lavoura. Nesse sentido, o agropecuarista também precisa estar atento e deve buscar pessoas e empresas idôneas, com produtos certificados, produzidos de forma legal e que tenham passado por um rígido controle de qualidade.

Mariana Cremasco