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Rondônia

Indígena desenvolve moeda digital para ajudar na economia de povos tradicionais em RO


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Um jovem indígena morador de Rondônia, criou uma moeda digital, para uso nas comunidades tradicionais do estado. O objetivo, segundo o idealizador Elias Oyxabaten, é proporcionar a valorização da produção agrícola e cultural do povo indígena, favorecendo a preservação dos costumes.

Filho de pai Suruí e mãe Cinta Larga, ele diz que sempre teve o sonho de mudar a realidade de seu povo, buscando melhorias. “Eu sempre quis trazer algo inovador, até que eu conheci a blockchain e busquei parceria de alguém que acreditasse no meu projeto”, conta.

O projeto da OYX um ativo digital que pode ser tokenizado e captar recursos para o grande objetivo que é buscar autonomia, segurança alimentar e uma renda mínima para a comunidade com valorização cultural e preservação do território.

Por falta de recursos, a moeda, que foi lançada em novembro de 2020, ainda não foi disponibilizada para uso. Com a crise causada pela pandemia, o patrocinador do projeto foi afetado e os planos foram adiados. A ideia é que cada unidade custe R$ 10.

“Quando entrou a pandemia, eu queria um jeito de ajudar minha comunidade, então a gente conseguiu fazer uma equipe para tentar criar essa moeda, conseguimos lançar e deu uma repercussão mundial. Precisamos de autonomia sobre nossos territórios, nosso produtos, valorizar nossa produção, tirar o atravessador e foi para tentar solucionar esses problemas que criamos a criptomoeda”

Apesar de ainda não estar em pleno funcionamento, a ideia já repercutiu e participa de prêmio internacional. A ideia concorre entre vários projetos que tratam de questões sociais e ambientais de sustentabilidade.

“As pessoas que estão comigo tanto no Cintal Larga como Suruí estão com expectativa boa, com esperança de renovação, união e qualidade de vida melhor através do projeto. Por isso estou na luta e não vou parar. Eu não vejo a tecnologia, a modernidade como uma coisa que vem acabar com a nossa cultura, mas sim que nos ajude a preservar”, argumenta.

“Criptomoeda é um ativo digital usado para a troca de mercadorias. É como se fosse a analogia do nosso dinheiro. O bitcoin é o mais conhecido de todos. Isso que a gente vem chamando de terceira via. Explorar a floresta para agregar valor nos produtos. O que o Elias está fazendo é deixando a floresta em pé e mostrando para o mundo o quanto é importante deixar ela em pé e conseguir uma renda dessa floresta em pé”, explica o doutor e especialista em ciência da computação Ewerton Andrade.

O advogado Fernando Lopes diz que a moeda de Oyxabaten está fundada na ideia de transculturalidade, transnacionalidade e soberania das comunidades indígenas e depende da ajuda de voluntários para ter continuidade.

“Nós entendemos que a população indígena pode vir a ser soberana sobre seus próprios recursos, conforme determina a Constituição, por meio de sua própria moeda. Não há qualquer problema em relação à legalidade”, declara.

G1.globo.com