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Bolsonaro sobre registro de vacina: “Certas coisas não podem ser correndo”


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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, nesta segunda-feira (28/12), que o processo de registro de vacinas contra a Covid-19 não pode ser feito às pressas devido aos possíveis efeitos colaterais do imunizante. Tanto a autorização para uso emergencial quanto o registro regular de vacinas dependem do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).“Eu falei que não estava preocupado com pressão, falei mesmo. Porque nós temos que ter responsabilidade. Certas coisas não podem ser correndo, você está mexendo com a vida do próximo”, disse Bolsonaro a apoiadores reunidos no Palácio da Alvorada.

“Agora, se eu vou na Anvisa, que é um órgão de Estado, [e digo] ‘Corre aí’, ‘Não sei o que lá’, eu estou interferindo. Até hoje não provaram a minha interferência na PF”, pontuou.
Segundo o chefe do Executivo, os laboratórios têm interesse em vender os imunizantes para o Brasil devido ao grande mercado consumidor do país.

“O Brasil tem 210 milhões de habitantes. Então, é um mercado consumidor, de qualquer coisa, enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que eles, então, não apresentam documentação na Anvisa?”, questionou. “Pessoal diz que tenho que… Não, não. Quem quer vender… Se eu sou vendedor, eu quero apresentar”, completou.

O mandatário do país vem defendendo a assinatura de um termo de consentimento para quem decidir se vacinar. “Eu já falei que o povo vai saber que, na bula, nos contratos, em todos que eu vi até agora está escrito lá: ‘Não nos responsabilizamos por efeito colateral’. Que efeito colateral é esse? Não sei. Não vou nem fazer uma brincadeira aqui porque falam aqui que eu estou zombando”, disse o mandatário do país.

Em 17 de dezembro, Bolsonaro comentou, em tom de brincadeira, os possíveis efeitos colaterais do imunizante.

“Se você virar um jacaré, é problema de você, pô. Não vou falar outro bicho, porque vão pensar que eu vou falar besteira aqui, né? Se você virar super-homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Ou, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, disparou na ocasião.

Dinheiro para vacinas
Há cerca de duas semanas, Bolsonaro assinou uma medida provisória que destina R$ 20 bilhões ao Ministério da Saúde para cobrir as despesas com a compra das doses de vacinas, além de seringas, agulhas, logística, comunicação e demais despesas necessárias para imunização da população.

O governo frisou que os recursos não são reservados a nenhuma vacina específica e poderão ser utilizados conforme o planejamento e as necessidades da pasta da Saúde.Nesta segunda, sem citar nomes, o titular do Planalto falou sobre interesses de autoridades nos recursos.

“Eu já assinei ali o cheque de R$ 20 bilhões. O dinheiro é de vocês, não é meu não, tá? Tem muita gente de olho nesse dinheiro. É impressionante como uma ou outra pessoa que a gente conhece, sem dizer o nome aqui, jamais se preocuparia com a vida do próximo. A preocupação é outra, que eu não vou falar qual que é”, disse, arrancando risadas dos apoiadores.

Lockdowns
O presidente também condenou a decretação de novo lockdown em alguns estados, com o avanço da segunda onda da Covid-19 no Brasil.

“É inacreditável. Fizeram o lockdown cinco meses. Alguns estados estão fazendo de novo. Mas já não deu certo ali atrás. Apanhei muito por causa disso, porque saúde e economia [andam] de mão dada”, afirmou.

Bolsonaro voltou a criticar o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, a quem chamou de “marqueteiro da Globo”. Segundo o mandatário do país, o ex-titular da pasta caiu devido a discordâncias quanto ao uso da cloroquina no combate à Covid-19 – fármaco defendido por Bolsonaro, mas não por cientistas e médicos –, além de outras questões, como o isolamento social.

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