
Depoimento do influenciador expõe consequências emocionais que podem persistir por anos e reforça a importância do acolhimento às vítimas e da responsabilização dos agressores
O relato do influenciador Felca sobre os episódios de bullying que enfrentou durante a infância e a adolescência amplia o debate sobre os efeitos da violência na saúde mental. Em vídeo publicado nesta terça-feira (20), que marca seu retorno ao YouTube após meses de afastamento, ele compartilha experiências de humilhação e agressões físicas na escola e relaciona essas vivências ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade social, também conhecido como fobia social.
A repercussão do depoimento chama a atenção para uma questão que vai além dos episódios de violência em si. As consequências emocionais podem acompanhar as vítimas por anos, interferindo na autoestima, nas relações interpessoais e na capacidade de enfrentar situações cotidianas. O acolhimento e a oportunidade de falar sobre o sofrimento, sem receio de julgamentos, são fundamentais para o processo de recuperação.
O bullying também tem implicações legais. A Lei nº 14.811/2024 tornou a intimidação sistemática crime no Brasil. Dependendo das circunstâncias, a prática pode resultar em multa ou, nos casos de cyberbullying, em pena de reclusão, conforme previsto na legislação.
Para Kátia Moraes Varella Alves, presidente do SOS Preces, instituição que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso por telefone, a escuta representa uma forma importante de acolher pessoas que enfrentam situações de violência e sofrimento emocional.
“Quando uma pessoa sofre bullying, ela pode passar a acreditar que há algo errado com ela, especialmente quando as agressões se repetem e não encontra apoio ao seu redor. Por isso, é fundamental que crianças e adolescentes sejam ouvidos, que seus relatos sejam levados a sério e que os adultos não minimizem o que estão vivendo. Ninguém deve enfrentar esse sofrimento sozinho”, afirma.
A presidente da instituição ressalta que oferecer um espaço de escuta ajuda a pessoa a expressar sentimentos e a reconhecer que suas experiências merecem atenção. O acolhimento, porém, precisa caminhar junto com medidas de proteção, orientação às famílias e atuação das escolas para interromper as agressões e prevenir novos episódios.
“Muitas vezes, quem sofre bullying sente vergonha de contar o que acontece ou tem medo de não ser acreditado. Encontrar alguém que escute com atenção, sem julgamentos e sem exigir respostas imediatas, pode ajudar a aliviar a tensão e a compreender melhor o que está sentindo. A escuta não apaga o que aconteceu, mas pode ser um passo importante para que essa pessoa perceba que não precisa carregar a dor sozinha”, acrescenta Kátia.
O SOS Preces oferece atendimento telefônico gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia, com voluntários preparados para ouvir e acolher pessoas em sofrimento emocional em todo o Brasil. O serviço não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas pode complementar a rede de apoio de quem precisa conversar e encontrar um espaço de acolhimento.
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