O Outubro Rosa costuma colocar mamografia e prevenção no centro das conversas. Mas há uma pergunta que aparece cada vez mais entre mulheres jovens: se o rastreamento populacional é direcionado principalmente a determinadas faixas etárias, o que uma mulher com menos de 40 anos precisa observar?
O câncer de mama é mais frequente com o avanço da idade, mas isso não significa que mulheres jovens estejam livres da doença. Nesses casos, conhecer o próprio corpo e não ignorar alterações persistentes ganha importância, especialmente quando existem fatores individuais que podem modificar o risco.
Para a Dra. Roberta Galvão, oncologista, prevenção não deve ser confundida com a realização indiscriminada de exames em qualquer idade.
“Quando falamos de mulheres jovens, não significa que todas devam começar a fazer os mesmos exames cada vez mais cedo. O ponto é entender que existem situações diferentes. Uma mulher com histórico familiar importante, por exemplo, pode precisar de uma avaliação individualizada para definir se existe indicação de acompanhamento específico”, explica.
Entre os sinais que merecem avaliação estão o aparecimento de um nódulo, alterações persistentes na pele da mama, retrações, mudanças no mamilo e saída espontânea de secreção. Perceber alguma dessas alterações não significa necessariamente câncer, mas também não é algo que deva ser ignorado por causa da idade.
“Existe uma ideia de que, por ser jovem, determinada alteração provavelmente não é nada. A maioria das mudanças mamárias realmente pode ter causas benignas, mas isso precisa ser definido após avaliação. A idade não deve ser usada como motivo para adiar a investigação de um sinal persistente”, ressalta Roberta.
Ter câncer na família significa que a doença é hereditária?
Esse é outro ponto que costuma gerar ansiedade. Um caso isolado de câncer em um familiar não significa automaticamente a presença de uma síndrome hereditária. O que chama atenção é a combinação das informações.
“Na avaliação de risco, nós observamos o conjunto: quem teve câncer na família, qual foi o tipo de tumor, com que idade apareceu, quantas pessoas foram acometidas e em quais graus de parentesco. É esse desenho da história familiar que pode levantar a suspeita de uma predisposição hereditária”, esclarece a oncologista.
Quando existe indicação, o aconselhamento e a investigação genética podem ajudar a compreender melhor o risco e orientar estratégias de acompanhamento. Mas o teste genético não deve ser encarado como um exame genérico para qualquer pessoa que tenha medo de desenvolver câncer.
“Genética não é uma sentença. Mesmo quando identificamos uma alteração associada ao aumento de risco, isso não significa que aquela mulher obrigatoriamente desenvolverá a doença. A informação serve justamente para individualizar o cuidado, discutir rastreamento e, quando indicado, estratégias de redução de risco”, afirma.
Autoconhecimento não substitui acompanhamento médico
Conhecer as próprias mamas pode ajudar a mulher a perceber mudanças, mas não substitui os métodos de rastreamento recomendados de acordo com idade e risco individual.
Para Roberta, uma das mensagens mais importantes do Outubro Rosa é fugir tanto do medo excessivo quanto da falsa sensação de segurança.
“Não queremos que uma mulher de 30 anos viva procurando sinais de câncer todos os dias. Queremos que ela conheça o próprio corpo, saiba sua história familiar e procure avaliação quando perceber uma mudança que persiste. Prevenção também é ter informação suficiente para saber quando é necessário investigar”, finaliza a Dra. Roberta Galvão, oncologista.
Sobre a especialista
Dra. Roberta Galvão é oncologista e especialista em oncogenética, com atuação na avaliação de risco hereditário para câncer e no acompanhamento de pacientes oncológicos.


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