Entre o fogo que avança sobre a floresta, a fumaça que cobre parte do estado e a falta de representatividade política das mulheres, 5 de setembro é data para reconhecer ações sustentáveis e de resistência
Neste 5 de setembro, Rondônia tem pouco espaço para uma celebração ingênua. O Dia da Amazônia chega em meio à temporada de queimadas, aos impactos da fumaça e a situações de emergência que atingem comunidades indígenas. Ao mesmo tempo, também celebramos o Dia Internacional da Mulher Indígena — e é justamente nessa combinação que talvez esteja a pergunta mais importante: o que, afinal, temos para comemorar?
Temos a resistência. Temos mulheres indígenas que continuam ocupando espaços de liderança, defendendo seus territórios, preservando conhecimentos tradicionais e participando das decisões que dizem respeito ao futuro da floresta, como ocorre no I Encontro de Mulheres da Terra Indígena Rio Branco, evento que se encerra hoje na Aldeia Jatobá, em Alta Floresta.
Também temos povos indígenas que demonstram, na prática, que conservação e produção não precisam ser adversários.
Em Rondônia, experiências recentes de agricultura sustentável, produção de café, cacau, castanha, farinha, frutas e outros produtos mostram que terras indígenas e áreas florestais também podem ser espaços de autonomia econômica, segurança alimentar e valorização dos conhecimentos tradicionais. Dados divulgados pela Emater-RO apontam projetos de assistência técnica e extensão rural voltados às comunidades indígenas e iniciativas de fortalecimento da produção sustentável no estado.
Um dos exemplos é o café Robusta Amazônico produzido pelo povo Paiter Suruí sem o uso de agrotóxicos, unindo o saber ancestral à preservação da Floresta Amazônica. O café se destaca pela alta qualidade e premiações internacionais e gera renda para centenas de famílias. Modelo de negócio do povo Paiter Suruí replicado em outros territórios.
Um levantamento do Imazon indica que, entre agosto de 2025 e julho de 2026, 60% das terras indígenas da Amazônia tiveram desmatamento zero. No mesmo período, somente 1,7% da área desmatada no bioma estava dentro de terras indígenas. Em paralelo ao dado que de janeiro a setembro de 2026, Rondônia registrou 7.282 focos de incêndio, representando o maior número para o período nos últimos 14 anos e um aumento de 169% em relação ao mesmo período de 2023, o contraste é gritante.
Os números ajudam a demonstrar aquilo que os povos indígenas repetem há décadas: proteger território também é proteger floresta.
Também podemos comemorar o posicionamento da mulher indígena, que avança e reivindica o lugar de protagonista nas decisões. As mulheres estão na defesa territorial, na produção de alimentos, na ciência, na educação, na comunicação, na cultura, na política e na construção de novas formas de desenvolvimento para a Amazônia. Neidinha Suruí, candidata a senadora pelo PSB, ao participar do Encontro de Mulheres da TI Rio Branco recebeu um documento com as reivindicações que irão compor suas propostas de políticas públicas voltadas às mulheres indígenas. Entre os assuntos, reivindicam discussão e avanços sobre autonomia política, paridade de gênero em espaços de decisão, proteção territorial, moratórias PCH (Pequena Central Hidrelétrica), restauração ambiental, enfrentamento às violências, restauração de saúde, valorização da medicina tradicional, sociobioeconomia, produção e infraestrutura escolar.
Em 2026, o Brasil registra 191 candidaturas indígenas, sendo 84 de mulheres — quase 44% do total de candidaturas indígenas, segundo levantamento divulgado neste período eleitoral.
Esse movimento representa uma mudança importante: mulheres indígenas não querem apenas que suas histórias sejam contadas, querem participar das decisões que definem o futuro de seus povos, de seus territórios e do país. Para as mulheres da aldeia Jatobá, Rondônia tem a possibilidade de eleger uma mulher indígena senadora, uma porta voz dos diferentes povos. Mas também da sociedade rondoniense como um todo, uma historiadora, mestre doutora em Geografia que conhece a realidade da floresta e das cidades, referência nacional e internacional em sociobiodiversidade.
E talvez seja esse o verdadeiro sentido de comemorar o Dia da Amazônia em Rondônia. Não celebrar uma floresta idealizada, distante dos problemas reais, mas reconhecer uma Amazônia viva, que enfrenta queimadas, desmatamento, mudanças climáticas, violência e desigualdade — e que continua produzindo conhecimento, cultura, alimento, ciência e esperança.
Uma Amazônia que constroi com criatividade e capacidade produtiva modelos econômicos sustentáveis, políticas em defesa da vida.
Hoje, no Dia da Amazônia, na aldeia Jatobá, realiza-se a Plenária do Meio Ambiente, como parte do projeto “Plenárias - O Jeito Neidinha de te Representar”.
Assessoria de Comunicação Neidinha Suruí 400 - A Senadora do Povo de Rondônia


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