Deputado rebate declaração do prefeito sobre parlamentares, aponta tentativa de interferência na Câmara de Cuiabá e afirma que Abilio faz o contrário do que defendia quando era vereador

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- Alline Marques
O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) classificou o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), como o “mágico da política” e afirmou que o gestor utiliza declarações polêmicas para criar uma “cortina de fumaça” e desviar as atenções dos problemas enfrentados pela administração municipal.
A reação ocorreu após Abilio declarar que deputados sustentariam amantes com dinheiro do agronegócio. Para Botelho, a fala foi “infeliz” e colocou os parlamentares de forma generalizada em uma mesma situação. Apesar da crítica, o deputado descartou a necessidade de uma nota de repúdio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
“A gente tem que entender que o Abilio é assim. Eu já falei que o Abilio é o mágico da política. Ele lança alguma coisa para todo mundo discutir isso e não discutir a administração dele. Faz uma fala polêmica, uma provocação sem sentido, e todos ficam discutindo aquilo, em vez de discutir a verdadeira função dele, que é administrar Cuiabá”, declarou.
Botelho subiu o tom ao avaliar a gestão do prefeito e afirmou que a administração não apresentou resultados próprios até o momento. Segundo ele, parte das ações realizadas na Capital somente foi possível por causa de recursos repassados pelo Governo de Mato Grosso.
“Ele está fazendo uma administração pífia, vergonhosa. Não lançou nada. As poucas coisas que foram feitas foram com recursos do Governo do Estado. Otaviano Pivetta deu dinheiro demais para recuperar ruas, para a saúde, para as escolas e, mesmo assim, não está resolvendo os problemas de Cuiabá”, afirmou.
Na avaliação do deputado, a estratégia do prefeito seria criar sucessivas polêmicas para evitar que a administração municipal seja colocada no centro do debate político.
“É uma estratégia para criar uma cortina de fumaça em cima de retóricas sem sentido, para que ninguém veja realmente a administração dele, que é péssima, ruim e totalmente negativa”, acrescentou.
“Faz tudo ao contrário”
Botelho também acusou Abilio de abandonar compromissos assumidos antes de chegar ao Palácio Alencastro. Entre as contradições apontadas pelo parlamentar estão a promessa de não interferir na Câmara Municipal, a redução de despesas e o discurso contrário à distribuição de cargos.
“Ele faz tudo ao contrário do que falava. Dizia que não iria interferir na Câmara, mas agora quer interferir em tudo e tomar conta de lá. Falava que não iria dar cargos, e está dando. Dizia que reduziria custos, mas não diminuiu custo nenhum. Não resolveu nada em Cuiabá. É a mesmice piorada”, disparou.
O deputado afirmou ainda que o prefeito não aceita que a Câmara investigue assuntos relacionados à administração municipal, embora tenha defendido uma atuação independente do Legislativo quando exercia o mandato de vereador.
“Ele dizia que queria uma Câmara atuante. Agora, parece que quer que a Câmara de Cuiabá investigue outros municípios, como São Paulo ou Rio de Janeiro, porque Cuiabá ele não aceita que seja investigada”, ironizou.
Botelho evitou classificar diretamente os vereadores como subservientes ao prefeito, mas afirmou que a postura de Abilio mudou depois que ele assumiu o Executivo. O deputado lembrou que, durante o mandato parlamentar, o atual prefeito protagonizava protestos contra a gestão anterior.
“Quando era vereador, ele deitava na frente das policlínicas, rolava no chão e fazia show. Agora não pode fazer nada disso. Ele dizia que os vereadores que apoiavam Emanuel estavam mortos politicamente, mas quem mais dá sustentação a ele hoje é justamente o grupo de vereadores que fazia parte da base do Emanuel e que ele abraçou”, declarou.
O parlamentar também comparou o tratamento recebido por Abilio com o enfrentado pelo ex-prefeito Emanuel Pinheiro. Segundo Botelho, a gestão anterior sofreu maior pressão dos órgãos de controle e do próprio Governo do Estado.
“Nunca Cuiabá recebeu tanta ajuda como está recebendo agora do Governo do Estado. A gestão do Emanuel sofreu muita retaliação, críticas de todos os lados e pressão diária do Ministério Público. O Abilio está nadando de braçada e nada acontece”, concluiu.


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