O aumento da circulação de vírus respiratórios neste outono-inverno tem elevado o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o Brasil. Segundo o boletim mais recente da Fiocruz, o país já registrou mais de 89 mil casos de SRAG em 2026, sendo cerca de 49 mil com confirmação para vírus respiratórios. Entre as crianças, o vírus sincicial respiratório (VSR) permanece como o principal agente associado às hospitalizações, enquanto a influenza A predomina entre adultos e idosos.

Nesse cenário, a pneumonia continua sendo uma das principais complicações das infecções respiratórias e uma importante causa de internação, especialmente entre crianças pequenas, idosos e pacientes imunocomprometidos.

Segundo Carol Xavier, fisioterapeuta respiratória, especialista em Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal e CEO da Respirar & Crescer, embora a maioria das infecções respiratórias tenha evolução favorável, reconhecer precocemente os sinais de agravamento é determinante para evitar complicações: “Nem toda gripe ou resfriado evolui para pneumonia, mas grande parte das pneumonias é precedida por uma infecção viral das vias respiratórias. O ponto crítico é reconhecer precocemente quando a evolução deixa de ser a esperada e passa a comprometer a função pulmonar e a mecânica respiratória, aumentando o risco de insuficiência respiratória e de internação", diz.

Pacientes com doenças respiratórias crônicas, cardiopatias, imunodeficiências, prematuridade e outras condições que comprometem a resposta imunológica apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença.

“Mais importante do que observar apenas a febre é avaliar como a infecção está repercutindo na respiração e no estado geral do paciente. Quando surgem dificuldade para respirar, aumento do esforço respiratório, cansaço progressivo ou redução importante da alimentação e da hidratação, é fundamental buscar reavaliação médica, porque esses sinais podem indicar comprometimento da função pulmonar", explica Carol.

A prevenção permanece como a estratégia mais eficaz para reduzir hospitalizações e complicações. Em junho, o Ministério da Saúde incorporou a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (Pneumo 20) ao calendário do SUS, ampliando a proteção contra um número maior de sorotipos do Streptococcus pneumoniae, principal bactéria responsável por pneumonias, meningites e sepse.

“A incorporação da Pneumo 20 representa um avanço importante para a prevenção das formas graves de pneumonia. Associada à vacinação contra influenza, à manutenção de altas coberturas vacinais e ao diagnóstico precoce, ela tem potencial para reduzir significativamente internações e complicações, principalmente entre crianças, idosos e pacientes com maior vulnerabilidade clínica", finaliza Carol.

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