Após quase uma década de pesquisa, dispositivo médico desenvolvido na Bahia reúne testes em campo, validações técnicas e patente depositada; o objetivo é prevenir complicações em pacientes alimentados por sonda

São Paulo/Salvador, 20 de julho de 2026 – Uma tecnologia brasileira criada a partir da experiência de uma mãe acaba de alcançar um novo marco em sua trajetória. Depois de quase uma década de pesquisa, o JO+ Absorvente Dérmico reúne testes em campo, validações técnicas preliminares e pedido de patente depositado. Agora, a startup fundada pela bióloga e pesquisadora baiana Nilza Carla busca investidores e parceiros industriais para ampliar a produção da tecnologia e levar a inovação ao mercado. 

A ideia do JO+ nasceu da experiência de Nilza Carla como mãe. João Pedro, seu filho, hoje com 20 anos, sofreu anóxia perinatal, recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral e passou a depender permanentemente de uma gastrostomia — procedimento que permite a alimentação por meio de uma sonda inserida diretamente no estômago, indicado para pacientes que não conseguem se alimentar pela boca. A condição exige cuidados diários para prevenir lesões, infecções e outras complicações ao redor do estoma, abertura por onde a sonda é introduzida.

Ao acompanhar essa rotina de cuidados, Nilza percebeu que existia uma lacuna importante na proteção da pele ao redor do estoma, justamente onde surgem muitas das complicações enfrentadas pelos pacientes. Desenvolvido com uma matéria-prima de alta absorção e delicada para a pele, o JO+ Absorvente Dérmico foi criado para proteger a região ao redor do estoma, absorver secreções e ajudar a prevenir lesões, infecções, dor e outras complicações frequentes em pacientes gastrostomizados.

Em vez de desenvolver apenas uma adaptação para o uso do filho, Nilza decidiu investigar o problema sob a perspectiva científica. Formou-se técnica em Enfermagem, graduou-se em Ciências Biológicas e iniciou uma trajetória de pesquisa voltada ao desenvolvimento de uma solução capaz de prevenir essas complicações. Atualmente, é mestranda na UNIFACS, em Salvador, onde aprofunda seus estudos na área da saúde e inovação, fortalecendo a base científica da tecnologia desenvolvida pela JO+.

"Primeiro fui mãe. Depois precisei me tornar pesquisadora para entender por que aquele problema acontecia e como poderia evitá-lo. A tecnologia nasceu desse encontro entre a experiência do cuidado e a ciência."

Segundo Nilza, estima-se que mais de 300 mil brasileiros convivam com gastrostomia e que até 74% enfrentem algum tipo de complicação relacionada ao procedimento. "Eu fui inserida no sistema hospitalar sem preparo para lidar com uma realidade extremamente complexa. Com o tempo, percebi que aquela dificuldade não era exclusiva da minha família. Era um problema compartilhado por milhares de pacientes e que ainda não tinha uma solução específica", relata.

Embora a gastrostomia seja um procedimento consolidado, o cuidado diário com o estoma continua sendo um desafio para pacientes, familiares e equipes de saúde. Vazamentos constantes de secreções podem provocar irritações, lesões cutâneas, infecções e reinternações, comprometendo a qualidade de vida e aumentando os custos assistenciais. Ao atuar na prevenção dessas complicações, o JO+ pretende contribuir não apenas para melhorar a rotina dos pacientes, mas também para reduzir a pressão sobre os serviços de saúde.

Nova fase: produção em escala

Hoje, a tecnologia conta com protótipo em estágio avançado de desenvolvimento (TRL 6-7), pedido de patente depositado, validações técnicas preliminares e testes em campo realizados com pacientes gastrostomizados. Nesta fase inicial de desenvolvimento, o dispositivo foi utilizado por quatro pacientes, contribuindo para o aprimoramento da tecnologia e a consolidação de sua proposta clínica. Em 2024, o projeto foi apresentado no Web Summit Lisboa, um dos maiores eventos mundiais de inovação e tecnologia, reforçando seu potencial de impacto e internacionalização.

Com o desenvolvimento tecnológico consolidado, a JO+ entra agora em uma nova etapa de sua trajetória e busca parcerias com indústrias, hospitais, universidades, investidores e instituições públicas para ampliar a validação clínica, estruturar a produção em escala e acelerar o acesso dos pacientes à tecnologia.

Além da eficácia clínica, a JO+ foi concebida com foco na viabilidade de produção e no acesso. O dispositivo foi desenvolvido para uso diário — a estimativa é de um consumo médio de seis unidades por paciente ao dia — e busca combinar proteção, conforto e custo compatível com uma futura produção em escala, ampliando seu potencial de adoção tanto na rede privada quanto, futuramente, no sistema público de saúde.

Para a pesquisadora, o desenvolvimento da tecnologia só fará sentido justamente quando estiver acessível aos pacientes que mais precisam. Por isso, o objetivo é pavimentar o caminho para que, no futuro, o produto seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso a uma solução preventiva para milhares de brasileiros que dependem da gastrostomia. 

"O JO+ nasceu da minha experiência com o João, mas ele representa milhares de famílias que enfrentam essa mesma realidade todos os dias. Sei o quanto informação, orientação e acesso fazem diferença. Meu sonho é que essa tecnologia possa chegar ao sistema público e beneficiar quem mais precisa. Temos um problema real a ser enfrentado e um enorme potencial de impacto social", completa Nilza.

Sobre Nilza Carla e JO+
Nilza Carla é mãe de João Pedro, de 19 anos, bióloga, pesquisadora, técnica em Enfermagem, mestranda pela Universidade Salvador (UNIFACS) e fundadora da JO+, startup brasileira dedicada ao desenvolvimento de tecnologias para o cuidado de pacientes gastrostomizados. A inovação nasceu de sua experiência ao cuidar do filho, que depende de gastrostomia desde a infância. Ao identificar a ausência de soluções eficazes para prevenir complicações clínicas, transformou uma necessidade vivida dentro de casa em uma trajetória de pesquisa, inovação e empreendedorismo. O resultado foi o JO+ Absorvente Dérmico, tecnologia desenvolvida para proteger a pele ao redor do estoma e contribuir para a prevenção de lesões, infecções e outras complicações associadas à gastrostomia. Atualmente, a tecnologia encontra-se em estágio avançado de desenvolvimento, com testes em campo, validações técnicas e pedido de patente depositado. Hoje, Nilza atua na entre cuidado, ciência e inovação, desenvolvendo soluções com potencial de impacto clínico, social e econômico, capazes de promover mais dignidade aos pacientes e maior eficiência para os sistemas de saúde. Instagram: @absorventedermico