Na era da Inteligência Artificial, o comportamento é que o diferencial na busca por uma vaga de emprego
Especialista aponta como habilidades comportamentais serão as mais buscadas pelos recrutadores

Enquanto muitos profissionais buscam investir em conhecimento sobre a Inteligência Artificial para se destacar na busca por uma vaga de emprego, dados mostram como essa é uma habilidade que já se tornou essencial, mas que não será decisiva no momento da contratação.
Essa é a realidade apresentada pelo Relatório do Futuro do Trabalho 2025, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial e que busca analisar o que o mercado de trabalho espera encontrar até 2030. No relatório, entre as dez habilidades mais desejadas estão o pensamento analítico, seguido de resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança e influência social. Todas são habilidades comportamentais e não técnicas como muitos profissionais acreditam.
Para a especialista em comportamento corporativo, Thalita Jesus, fundadora do perfil Oi Chefinha, essa é uma tendência natural diante do avanço tecnológico que já muda o cenário de contratações e demanda um fator humano mais apurado. “Parece óbvio, mas IAs não têm sentimento. Ou seja, elas até podem dizer que algo será bom porque X milhões de pessoas no mundo gostaram de algo similar, mas será necessário um crivo humano”, explica.
Segundo a especialista, é por isso que outros elementos vão precisar se destacar na hora de contratar ou promover um funcionário, “É aqui que habilidades comportamentais entram, pois discutir os dados poderosos que serão gerados implicará habilidades de negociação, empatia, e muitas outras que implicam entender análises e transformar em decisões”, explica.
Destacamos as habilidades mais desejadas segundo o relatório e pedimos para Thalita Jesus comentar sobre elas, confira:
Pensamento analítico: Para a especialista, a busca pelo pensamento analítico apresenta uma empresa que busca uma equipe que consegue pensar no todo, não apenas na tarefa que precisa executar. “Em geral, os profissionais focam em entregar sua parte do trabalho sem se preocupar com o impacto daquela tarefa no contexto geral, e quem tem o pensamento analítico aflorado vai antecipar problemas, trazer sugestões baseadas em análises e propor melhorias ou mudanças sem que isso seja uma necessidade aparente imediata,” explica.
Resiliência e agilidade: Com um cenário econômico em constante mudança, todas as áreas e profissões precisam de resiliência e agilidade para se adaptar a novos cenários.“Acredito que desenvolver essas habilidades é importante, em primeiro lugar, não apenas para o ambiente de trabalho mas para a vida, pois existem situações complexas que exigirão que esses comportamentos estejam presentes”, fala Thalita.
No âmbito profissional, situações que pedem resiliência e agilidade são momentos em que novas habilidades são afloradas, um ganho para o profissional. “No contexto de trabalho, reflita como aquela situação nova ou desafiadora traz um crescimento profissional, como aquela situação está te preparando para desafios futuros e principalmente o aprendizado que ficou para que possa fazer uma tarefa parecida com mais eficiência no futuro”, comenta a especialista.
Liderança e Influência Social: Essas habilidades são muito associadas a funções de liderança, porém, são essenciais em qualquer colocação e principalmente se o profissional deseja crescer na carreira.
A especialista destaca que essas habilidades apesar de parecerem distantes, acontecem de uma forma muito simples. “Existem muitas maneiras de influenciar pessoas, mas uma das formas mais eficientes e subestimadas de influenciar pares (aqueles que estão no mesmo nível hierárquico da organização) é oferecendo ajuda”, orienta Thalita Jesus, que explica como esse auxílio acaba se tornando uma ferramenta de influência e liderança muito forte no ambiente profissional: “A intenção ingênua de colaborar faz duas coisas mágicas: primeiro, faz com que você se torne referência em um tema, e faz com que as pessoas se sintam confortáveis em mostrar suas vulnerabilidades porque sabem que não haverá julgamento”, explica.
Para finalizar, a especialista em comportamento corporativo deixa sua orientação para quem deseja adquirir ou aprimorar essas habilidades tão desejadas pelos recrutadores. “Tenha humildade em aceitar que você não é perfeito, entenda que você é um animal social e que relacionamentos saudáveis e éticos abrem portas e principalmente, estude sobre o tema de comportamentos pois infelizmente ele ainda é pouco acessível nas escolas e universidades”, concluí.
PRESS MANAGER

0 Comentários