
De pausas na respiração a dores de cabeça ao acordar, pneumologista desvenda os sinais de que o seu sono precisa de ajuda médica imediata
São Paulo, junho de 2025 – Quem nunca foi acordado por um ronco ao lado ou se sentiu constrangido por roncar durante a noite? Apesar de ser tratado como um simples incômodo — ou até motivo de piada —, o ronco pode dizer muito mais sobre a saúde do que imagina. Ele afeta não apenas quem ronca, mas também o descanso de quem divide o quarto, e ainda vive cercado de crenças que nem sempre correspondem à realidade.
Mas afinal: quando o ronco é apenas um barulho passageiro e quando ele merece a atenção de um especialista?
O primeiro passo para noites mais tranquilas é abandonar a ideia de que roncar é algo normal. “O ronco representa uma dificuldade na passagem do ar pelas vias aéreas superiores durante o sono. Mesmo quando ocorre de forma esporádica, ele pode indicar que algo não está funcionando adequadamente”, explica o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, diretor-médico da Biologix, healthtech brasileira especializada no diagnóstico de distúrbios do sono.
E engana-se quem pensa que o problema se resume ao barulho. Um dos maiores equívocos é justamente esse: tratar o ronco como um mero incômodo sonoro. Na prática, ele pode comprometer a qualidade do sono de forma significativa, provocando despertares frequentes (muitas vezes nem percebidos) e um cansaço que se arrasta ao longo do dia. “Em alguns casos, o ronco está associado a condições mais sérias, como a apneia obstrutiva do sono, que pode trazer consequências importantes para a saúde cardiovascular e metabólica”, alerta o médico.
Outra crença bastante difundida é a de que apenas pessoas acima do peso roncam. Mito. Embora o sobrepeso seja um fator de risco relevante, ele está longe de ser o único. Pessoas magras também podem roncar, seja por características anatômicas da garganta, congestão nasal, consumo de álcool antes de dormir, tabagismo ou até pela simples posição na cama.
Aliás, por falar em posição, dormir de barriga para cima é um dos grandes vilões. Nessa posição, a gravidade faz a língua e os tecidos da garganta deslizarem para trás, estreitando as vias aéreas e intensificando o ronco. A boa notícia é que, para muita gente, mudar para a posição lateral já reduz consideravelmente a frequência e a intensidade do som.
Como saber se o ronco é preocupante?
Aqui vale um alerta: o volume nem sempre é o melhor termômetro. Mesmo roncos mais baixos ou ocasionais merecem atenção quando vêm acompanhados de outros sinais, como:
Pausas na respiração (quem dorme ao lado costuma perceber);
Engasgos noturnos;
Dor de cabeça ao acordar;
Sono que não descansa;
Sonolência excessiva durante o dia.
“Mais importante do que o barulho em si é observar o conjunto de sintomas e o impacto na qualidade de vida”, resume Dr. Geraldo. Os prejuízos, aliás, vão muito além da noite mal dormida. O ronco pode afetar relacionamentos, prejudicar o desempenho profissional e, a longo prazo, quando associado a distúrbios como a apneia do sono, aumentar o risco de doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e problemas de memória e concentração. “Há evidências de que ocorrem quedas repetidas nos níveis de oxigênio e uma maior sobrecarga do sistema cardiovascular”, acrescenta o médico.
O diagnóstico como aliado
A boa notícia é que há saída. O primeiro passo é buscar avaliação médica para diferenciar um ronco ocasional de um quadro mais complexo. O diagnóstico costuma começar com uma conversa detalhada sobre os sintomas e, quando necessário, evolui para exames como a polissonografia, que faz um monitoramento completo do sono.
O tratamento, por sua vez, depende da causa. Mudanças de hábito são sempre o ponto de partida, portanto é bom atentar-se a:
Perder peso quando indicado;
Reduzir ou cortar o álcool perto da hora de dormir;
Tratar congestões nasais;
Evitar dormir de barriga para cima;
Adotar uma boa higiene do sono (horários regulares, tempo suficiente de descanso).
Em casos que exigem mais, o médico pode recomendar aparelhos intraorais, terapias de fortalecimento muscular (como a terapia miofuncional orofacial), o uso de CPAP — equipamento que mantém as vias aéreas abertas durante a noite — ou, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos.
No fim das contas, o que parece apenas um ruído pode ser o corpo tentando dizer que algo não vai bem. Ouvir esse sinal — e agir sobre ele — pode fazer toda a diferença. “Quando frequente ou associado a outros sintomas, ele merece investigação. Identificar a causa é fundamental para garantir não apenas noites mais tranquilas, mas também mais saúde e qualidade de vida”, conclui o médico.
Sobre a Biologix
A Biologix é uma healthtech brasileira especializada em medicina do sono. Fundamentada em uma base científica sólida, a empresa integra tecnologias de ponta, como medical devices, IoT, inteligência artificial, aplicativos móveis e computação na nuvem, proporcionando aos profissionais de saúde uma ferramenta inovadora, precisa e acessível para diagnóstico de apneia do sono. O Exame do Sono Biologix® tem validação clínica no InCor - Instituto do Coração do HCFMUSP, um dos principais centros de referência em cardiologia no Brasil, e recebeu certificação dos principais órgãos regulatórios do país.
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