Especialista destaca que doença está relacionada a fatores de risco como tabagismo, obesidade e hipertensão e aponta avanços recentes nas terapias que ampliam o controle em diferentes estágios

O câncer de rim é uma doença que, na maioria dos casos, não apresenta sintomas nas fases iniciais e acaba sendo identificado de forma incidental, durante exames de imagem realizados por outros motivos. No Brasil, estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam o diagnóstico de cerca de 11 mil a 12 mil novos casos por ano. Embora possa ocorrer em adultos de diferentes idades, o câncer de rim é diagnosticado com maior frequência em pessoas a partir dos 60 anos.

Esse comportamento silencioso torna o câncer renal um desafio relevante na prática clínica, já que o estágio em que a doença é detectada influencia nas opções de tratamento e controle. Em fases iniciais, a cirurgia ainda é a principal abordagem com potencial curativo, existindo a possibilidade, em casos selecionados, de vigilância ativa e ablações térmicas para a doença localizada, enquanto casos mais avançados dependem de terapias sistêmicas (normalmente medicamentos) para controle da progressão.

Segundo o oncologista clínico Dr. Matheus Baptista, da Croma Oncologia, o desenvolvimento do câncer de rim está associado a fatores de risco bem estabelecidos, sendo alguns deles relacionados a hábitos de vida e condições de saúde que podem ser controlados. "Tabagismo, obesidade, hipertensão arterial não controlada e sedentarismo estão entre os principais fatores associados à doença. O controle desses fatores pode contribuir para a redução do risco de desenvolvimento do câncer renal. No entanto, é importante destacar que outros fatores também influenciam o surgimento da doença, incluindo idade, sexo, doença renal crônica e predisposição genética — presente em aproximadamente 6 a 9% dos casos", afirma o médico.

A maioria dos casos de câncer de rim — cerca de 60% — é descoberta de forma incidental, ou seja, durante exames de imagem realizados por outros motivos, antes mesmo do aparecimento de sintomas. Quando presentes, os sintomas geralmente indicam fases mais avançadas da doença. Entre os sinais mais comuns estão sangue na urina (presente em menos de 25% dos casos atualmente), dor lombar ou abdominal, perda de peso sem causa aparente e fadiga persistente. A chamada "tríade clássica" — dor no flanco, sangue na urina e massa abdominal palpável — é rara, ocorrendo em menos de 10% dos pacientes e geralmente indicando doença avançada.

O diagnóstico é feito principalmente por exames de imagem. A ultrassonografia costuma ser o primeiro exame a identificar uma massa renal suspeita, sendo capaz de diferenciar lesões sólidas de cistos simples. Quando identificada uma alteração suspeita, a tomografia computadorizada com contraste é o exame padrão para caracterizar a lesão e avaliar a extensão da doença. A ressonância magnética pode ser utilizada como alternativa, sendo particularmente útil em pacientes que não podem receber contraste iodado (usado em tomografias) e para avaliar o envolvimento de veias. A biópsia é realizada apenas em casos selecionados, pois os exames de imagem geralmente fornecem informações suficientes para orientar o tratamento.

Nos últimos anos, o tratamento do câncer de rim avançado passou por uma transformação significativa. Múltiplas combinações terapêuticas demonstraram redução do risco de progressão da doença e morte em comparação com tratamentos anteriores. Como exemplo as combinações de imunoterapia com terapias-alvo, e a imunoterapia dupla mostraram benefícios consistentes bem estabelecidos. "Hoje conseguimos tratar o câncer de rim de forma mais eficaz em diferentes estágios da doença. Em casos localizados — que representam 70% dos diagnósticos — a cirurgia segue com potencial curativo, com sobrevida em 5 anos superior a 90%. Nas situações avançadas, as terapias sistêmicas trouxeram uma nova perspectiva de controle prolongado da doença e melhora na qualidade de vida", explica o especialista.

Embora a maioria dos casos seja diagnosticada em estágios iniciais, aproximadamente 10% dos pacientes já apresentam doença metastática ao diagnóstico, e outros 10% daqueles inicialmente diagnosticados com doença localizada desenvolverão metástases posteriormente. Por isso, a conscientização sobre fatores de risco modificáveis e o acompanhamento médico regular permanecem fundamentais para ampliar a detecção precoce e melhorar os resultados clínicos a longo prazo.

Sobre a Croma Oncologia

A Croma Oncologia é uma rede de saúde especializada que apresenta um modelo inédito de gestão da jornada oncológica. Sua abordagem, a “Navegação 360º”, proporciona um suporte completo, integrando as dimensões médicas, assistenciais e administrativas, de forma presencial e digital desde o primeiro atendimento. A metodologia coordena todas as fases e profissionais envolvidos no tratamento, proporcionando conforto físico e emocional, além de garantir transparência e agilidade para pacientes e seus familiares. A Croma conta com um portfólio completo de serviços, tecnologias integradas e uma rede de profissionais e parceiros renomados, garantindo acesso desde consultas multidisciplinares e diagnósticos até terapias avançadas, como imunoterapia e quimioterapia. Apresentada ao mercado brasileiro no final de 2024, a Croma é o resultado de mais de três anos de trabalho conjunto entre seus sócios: Beneficência Portuguesa, Grupo Fleury e Atlântica Hospitais e Participações (uma empresa Bradsaúde). Atualmente em expansão, a rede oferece atenção integral nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

 


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