
Mudança ocorre em meio a impasse nas negociações da delação premiada do ex-banqueiro e após saída de advogado
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi autorizado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça a retornar para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Vorcaro vai ficar em uma sala de Estado-Maior, a mesma que foi ocupada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro após ele ser preso no fim de 2025.
O pedido foi feito pelos advogados do ex-banqueiro, que relataram insatisfação com as condições da cela comum para onde ele havia sido transferido — Vorcaro tinha sido levado para uma cela transitória, e a defesa reclamou que ela era inadequada para uma permanência prolongada.
A mudança anterior ocorreu em meio a um impasse nas negociações da delação premiada de Vorcaro, mas, após uma troca na equipe de defesa — José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou o caso após a Polícia Federal rejeitar a delação de Vorcaro —, o ministro do STF acolheu a solicitação e restabeleceu o benefício da cela especial.
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PF rejeitou delação de Vorcaro
Nesta semana, a Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro por considerarem o acordo “vazio” e frágil.
A PF entendeu que Vorcaro não trouxe fatos inéditos. Os investigadores avaliaram que tudo o que foi relatado pelo empresário já era de conhecimento da PF, que descobriu as informações por conta própria (inclusive por meio da perícia nos celulares apreendidos do próprio ex-banqueiro na Operação Compliance Zero).
Para a PF, a delação se tornou inviável porque Vorcaro sequer reconhecia os crimes que ele mesmo teria cometido. Aceitar um acordo nesses moldes foi classificado por integrantes da investigação como um “atestado de conivência”.
PGR continua negociando
Apesar da recusa da PF, a delação não está 100% descartada porque a PGR (Procuradoria-Geral da República) ainda tem autonomia para negociar e aceitar o acordo de forma independente.
No entanto, tanto a PGR quanto o gabinete do ministro André Mendonça (relator do caso no STF) já sinalizaram que, nos termos atuais, a delação é considerada “muito ruim”.
Para o acordo avançar na PGR, a nova defesa de Vorcaro, já que o advogado anterior deixou o caso logo após a negativa da PF, terá que refazer a proposta do zero, admitir culpas e entregar informações de peso e com provas reais.


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