Atriz revelou que foi hospitalizada três vezes em 2026 por complicações da doença celíaca; Saiba o que é a condição, por que ela ainda passa despercebida e como tratá-la

A atriz Isis Valverde revelou em suas redes sociais que precisou ser internada três vezes em 2026 por complicações da doença celíaca, condição autoimune desencadeada pelo consumo de glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio. Diagnosticada aos 19 anos, ela tem uma forma considerada muito agressiva da doença: o contato com traços mínimos de glúten, como um óleo usado para fritar alimentos contaminados, é suficiente para provocar uma crise grave.

Segundo a atriz, as três hospitalizações ocorreram durante um período intenso de trabalho, quando sua alimentação foi preparada de forma inadequada pela equipe, que tratava a restrição como uma simples alergia, sem compreender os riscos da contaminação cruzada. “Essa parte é traumatizante”, afirmou. 

De acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (FENACELBRA), cerca de 80% dos celíacos brasileiros ainda não sabem que têm a doença - e a patologia atinge cerca de 2 milhões de pessoas no País, mas a maioria encontra-se sem diagnóstico. De acordo com o Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), a condição é caracterizada pela dificuldade do organismo em absorver nutrientes como o glúten, e pode surgir em qualquer fase da vida.

“Em pessoas com doença celíaca, o sistema imunológico reage de forma anormal ao glúten, atacando e danificando a mucosa do intestino delgado. Isso leva à inflamação e à deterioração das vilosidades intestinais, estruturas responsáveis pela absorção de nutrientes”, resume.

É possível prevenir? 

Segundo o doutor, não há uma maneira definitiva de prevenir o desenvolvimento da doença celíaca, uma vez que é uma condição de origem genética. No entanto, é possível estar atento ao histórico familiar da doença e iniciar uma investigação precoce caso haja suspeita de predisposição genética. “A retirada do glúten da alimentação antes do surgimento dos primeiros sintomas pode ajudar a evitar danos à mucosa do intestino delgado, reduzindo assim o risco de complicações associadas à doença celíaca”, explica. 

 A doença celíaca tem cura? Existe tratamento? 

O tratamento da doença celíaca é centrado em uma mudança na dieta, pois não há cura para a condição e não existem medicamentos que possam eliminar os sintomas. “A base do tratamento é a exclusão total do glúten da alimentação. Isso significa evitar alimentos que contenham trigo, cevada, centeio e, em alguns casos, até mesmo aveia, devido ao risco de contaminação cruzada” orienta Nacif.

Além disso, o médico explica que após o diagnóstico, é importante que o paciente faça o acompanhamento nutricional regular para garantir que esteja obtendo todos os nutrientes necessários e para prevenir deficiências nutricionais que podem surgir devido à exclusão do glúten. “Uma dieta equilibrada e variada, com foco em alimentos naturais e integrais, ajudará a manter a saúde e o bem-estar a longo prazo” , enfatiza.

Nacif também ressalta que o tratamento adequado da doença celíaca não se limita apenas à eliminação do glúten da dieta, mas também envolve o gerenciamento de possíveis complicações e o monitoramento regular da saúde intestinal. “A inflamação crônica do intestino delgado, se não tratada adequadamente, pode aumentar o risco de desenvolvimento de tumores e outras condições graves no futuro. Portanto, é essencial que os pacientes sigam rigorosamente as orientações médicas e nutricionais para garantir qualidade de vida e prevenir complicações a longo prazo”, conclui.