Neonatologista esclarece dúvidas comuns, mitos e cuidados que fazem diferença no desenvolvimento infantil

A chegada de um recém-nascido transforma completamente a rotina da família. Entre descobertas, encantamento e noites mal dormidas, surgem também dúvidas que parecem simples, mas fazem toda a diferença no cuidado diário. Uma delas diz respeito ao posicionamento correto da cabeça do bebê, seja durante o sono, no colo, no banho ou mesmo nos momentos de descanso ao longo do dia.

O tema é fundamental para o desenvolvimento saudável nos primeiros meses de vida. Segundo o Dr. José Alberto Vieira, neonatologista do Hospital Maternidade Paulino Werneck, o cuidado com a posição da cabeça do recém-nascido vai muito além de uma questão estética.

“Nos primeiros meses, os ossos do crânio ainda estão em formação e são mais maleáveis. A manutenção prolongada sempre na mesma posição pode favorecer assimetrias, além de interferir no desenvolvimento da musculatura do pescoço.”    

Alterações como a plagiocefalia posicional, caracterizada pelo achatamento de uma das regiões da cabeça, tornaram-se mais frequentes nas últimas décadas, especialmente após a consolidação das campanhas que orientam o bebê a dormir de barriga para cima – uma medida amplamente reconhecida por reduzir o risco da Síndrome da Morte Súbita Infantil.

O desafio, segundo o especialista, está em equilibrar a segurança durante o sono com estímulos adequados quando o bebê está acordado.

“Dormir de barriga para cima é uma recomendação inegociável, mas isso não significa que a criança deva permanecer o tempo todo na mesma posição ao longo do dia”, reforça o neonatologista.

Segundo ele, a alternância postural, sempre com supervisão, é essencial para estimular o movimento, fortalecer a musculatura cervical e distribuir melhor os pontos de pressão na cabeça.

Sono seguro: o que os pais precisam saber

No momento do sono, o médico destaca que as orientações devem seguir critérios rigorosos de segurança e evidência científica:

  • O bebê deve ser colocado sempre de barriga para cima, inclusive para cochilos rápidos.
  • A cabeça pode ser posicionada com leve alternância entre os lados ao longo dos dias.
  • O berço deve permanecer livre de travesseiros, almofadas, protetores laterais ou objetos soltos.

“Essas medidas reduzem significativamente o risco de sufocação e de morte súbita, além de garantirem um ambiente mais seguro para o descanso”, explica o médico.

Cuidados no dia a dia que fazem diferença

Fora do horário de sono, o especialista ressalta que pequenas atitudes no cotidiano podem prevenir alterações posturais e favorecer o desenvolvimento motor do recém-nascido. Entre as principais orientações, estão:

  1. Alternar o lado do colo e da amamentação, estimulando o bebê a movimentar o pescoço de forma natural.
  2. Incentivar o chamado tempo de barriga para baixo enquanto a criança      está acordada e sob supervisão, começando com períodos curtos e aumentando gradualmente.
  3. Observar atentamente o posicionamento da cabeça em carrinhos, cadeirinhas e carregadores, evitando que ela fique caída ou inclinada sempre para o mesmo lado.

“Essas práticas simples ajudam a fortalecer os músculos do pescoço e da região cervical, além de favorecer uma postura mais equilibrada ao longo do desenvolvimento”, orienta o neonatologista.

Mitos e verdades que ainda geram confusão

Apesar do maior acesso à informação, ainda persistem crenças equivocadas sobre o tema. Uma das mais comuns é a ideia de que colocar o bebê para dormir de lado ajuda a evitar o achatamento da cabeça.

“Dormir de lado não é recomendado para recém-nascidos, pois aumenta o risco de rolamento para a posição de bruços, o que pode ser perigoso”, alerta Dr. José Alberto.

Outro mito frequente é o uso de travesseiros ou almofadas para “moldar” a cabecinha deles.  Segundo o especialista, além de não haver comprovação de benefício, essa prática não é indicada e pode representar riscos à segurança do recém-nascido.

O médico reforça ainda que leves assimetrias podem ser comuns nos primeiros dias de vida e, na maioria dos casos, se resolvem com orientações e acompanhamento adequado. “Quando há preferência persistente por um lado, dificuldade de movimentar o pescoço ou assimetrias mais evidentes, é importante procurar avaliação médica para orientar a família da forma correta”, conclui.

 

Sobre o Hospital Maternidade Paulino Werneck

O Hospital Maternidade Paulino Werneck, localizado na Ilha do Governador do Rio de Janeiro, é um complexo materno infantil gerenciado pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

 

Sobre o CEJAM    

O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe, Osasco e São José dos Campos.

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição. 

Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!

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