Encerramento do exercício revela inconsistências documentais que bloqueiam créditos e pressionam o caixa de produtores rurais

O período de transição fiscal no agronegócio expõe um problema silencioso com impacto direto no caixa dos produtores: inconsistências documentais que travam a habilitação de créditos nos sistemas e-CredRural e e-CredAc. No encerramento do exercício, surgem créditos inativos, notas com erros formais e cadastros desatualizados. Falhas ignoradas ao longo do ano passam a pesar no fechamento contábil.

Altair Heitor, psicólogo e especialista em gestão tributária para o agronegócio da Palin & Martins, afirma que o cenário é agravado pela complexidade do ambiente regulatório e pela convivência de regras antigas com novas exigências digitais.

A transição, segundo ele, não tem sido apenas operacional, mas também cultural, exigindo do produtor maior atenção aos registros fiscais e à rastreabilidade das informações. “Grande parte das perdas no campo não ocorre na produção, mas no preenchimento fiscal. São erros invisíveis que corroem o caixa”, diz.

Na prática, as inconsistências mais recorrentes envolvem notas fiscais emitidas com CFOP inadequado, divergências entre dados declarados e efetivamente registrados nos sistemas estaduais, além da ausência de vinculação correta entre operações e créditos passíveis de recuperação. 

Esses problemas, quando identificados apenas no encerramento fiscal, demandam retrabalho, retificações e, em alguns casos, levam à perda definitiva do crédito. “O produtor acredita que tem crédito, mas descobre tarde demais que ele está com inatividade cadastral  ou erro de enquadramento . Quando isso acontece no fechamento, o impacto financeiro é imediato”, explica.

Outro ponto sensível é a falta de acompanhamento contínuo ao longo do ano. Muitos produtores ainda tratam a gestão fiscal como uma obrigação pontual, concentrada no fim do exercício, quando o ideal seria uma rotina de conferência e validação periódica. 

Esse comportamento amplia o risco em um momento de transição, no qual os sistemas eletrônicos passaram a cruzar informações com mais rigor. “Hoje o controle não é mais apenas formal. O fisco analisa a coerência entre dados, operações e cadastros, e qualquer desalinhamento pode bloquear o crédito”, observa o especialista.

Diante desse cenário, cresce a demanda por processos de regularização preventiva, com revisão documental, saneamento de cadastros e auditoria dos créditos declarados antes do encerramento fiscal. 

A busca não é apenas por conformidade, mas por preservação de margem em um setor pressionado por custos elevados, instabilidade climática e volatilidade de preços. “Regularizar não é só evitar autuação. É garantir que o crédito que já é do produtor, por direito, não se perca por falha operacional”, reforça.

Para analistas do setor, o período de transição funciona como um teste de maturidade fiscal do agronegócio. Quem antecipa ajustes e investe em controle tende a atravessar o fechamento com menos sobressaltos. Já quem posterga correções acaba descobrindo, no momento mais crítico do ano, que erros administrativos podem custar tanto quanto uma safra frustrada.

 

Sobre Altair Heitor

Altair Heitor é contador, psicólogo e especialista em gestão tributária para o agronegócio, com mais de 22 anos de experiência. Graduado em Ciências Contábeis pela Faculdade Dom Pedro II (SRES) e em Psicologia pela UNORP, possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria, Auditoria e Compliance pela FGV. Atua como CFO da consultoria Palin & Martins, onde lidera projetos de recuperação de crédito tributário, compliance fiscal e reestruturação estratégica para produtores rurais e empresas do agro, ao lado da sócia Jéssica Palin.

Reconhecido como referência nacional em recuperação de crédito de ICMS e especialista em e-CredRural, e-CredAc e crédito acumulado, também ministra mentorias e treinamentos técnicos voltados à capacitação do setor. Sua atuação ganhou destaque com o aumento das exigências fiscais no campo, defendendo a contabilidade como ferramenta estratégica para geração de resultados. Acesse instagram.com/altairheitor

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Sobre a Palin & Martins

Fundada em São José do Rio Preto (SP), a Palin & Martins é uma consultoria especializada em gestão tributária para o agronegócio, com atuação em todo o território nacional. A empresa é referência na recuperação de créditos de ICMS, conformidade fiscal e reestruturação estratégica, com foco em produtores rurais, empresas do agro e exportadores.

Sob a liderança de Altair Heitor, contador e psicólogo com mais de 22 anos de experiência, e da advogada e psicóloga Jéssica Palin Martins, a consultoria já movimentou mais de R$ 621 milhões em créditos tributários para seus clientes.

Reconhecida por aliar precisão técnica, inteligência de dados e abordagem humanizada, a Palin & Martins atua diretamente na conversão de tributos em ativos financeiros legítimos. Além disso, oferece mentorias e treinamentos voltados à capacitação de empresários e profissionais do setor. Acesse palinemartins.com.br

 

Fontes de pesquisa

Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz)
https://www.confaz.fazenda.gov.br

Secretarias da Fazenda Estaduais (Sefaz)
https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/estados-municipios/sefaz