Falta de movimento em crianças menores de cinco anos pode resultar, no futuro, em osteoporose, fraturas e quedas - terceiras maiores causas de mortalidade após os 65 anos
O tempo excessivo em frente às telas durante a infância tem despertado a atenção de especialistas por seus impactos que vão além do comportamento e da visão. Ao substituir brincadeiras ativas como correr, pular e brincar ao ar livre, o sedentarismo infantil, por vezes, causado pelo tempo aumentado em frente aos computadores e celulares, dentro de casa, pode comprometer a formação da saúde óssea, fase crucial em que o organismo constrói a base dos ossos (massa óssea) que sustentará o corpo ao longo da vida.
De acordo com as diretrizes da OMS sobre atividade física, comportamento sedentário e sono para crianças menores de 5 anos de idade, crianças e adolescentes devem praticar, em média, pelo menos 60 minutos por dia de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, principalmente aeróbica.
O médico ortopedista Fabiano Nunes da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica porque a primeira fase da vida é tão importante para a saúde óssea. “Os ossos precisam de impacto e movimento para se desenvolverem fortes. Atividades como correr e pular geram estímulos mecânicos que aumentam a densidade óssea, ainda na primeira fase da vida. Quando a criança passa muito tempo sentada em frente às telas, esse estímulo diminui. Além disso, o uso excessivo de telas pode contribuir para má postura, fraqueza muscular e dores, o que também interfere no desenvolvimento saudável do sistema ósseo.”
Em casos de problemas na formação da massa óssea na primeira infância, o ortopedista alerta sobre o aumento de fraturas, mesmo com quedas leves, quando mais velho. “Os ossos ficam mais fracos, aumentando a chance desse adulto apresentar osteopenia e osteoporose (doenças que deixam os ossos frágeis), problemas de postura e dores nas articulações. Além disso, vale lembrar que a queda, por fraqueza muscular, é a terceira causa de mortalidade entre as pessoas com mais de 65 anos, perdendo apenas para doenças cardiovasculares e câncer.”, enfatiza.
Outro problema do excesso de telas é que as crianças passam mais tempo em ambientes fechados, o que reduz o contato com o sol, produção natural de vitamina D, que é essencial para a absorção do cálcio para os ossos.
A meta global da Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO) estabelecida para reduzir os níveis de inatividade física em adultos e adolescentes é uma redução relativa de 15% até 2030, tendo como base o ano de 2010. Já para o uso de telas, atualmente, a recomendação geral é que crianças acima de 2 anos possam ter acesso a aparelhos digitais.


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