*Por Lilian Matimoto, Executiva da Associação Brasileira de Inseminação Artificial
As expectativas para o mercado de genética bovina são positivas em 2026, tanto na pecuária de corte quanto na de leite. Levando em conta o poder de investimento do pecuarista e o comportamento do mercado internacional, é possível enxergar boas oportunidades para a cadeia da produção.
A recente valorização do bezerro é um indicador positivo. Em um cenário como esse, o melhoramento genético ganha ainda mais relevância, já que o pecuarista avalia com critério a qualidade genética dos animais destinados à reposição.
Na pecuária leiteira, os investimentos em genética representam uma tendência, tendo em vista a busca constante por maior produtividade por vaca/ano. O produtor reconhece a relação entre melhoramento genético e eficiência no rebanho, fator que deve sustentar investimentos em 2026.
Na pecuária de corte, o aumento dos investimentos em genética também está conectado ao cenário internacional. A alta das exportações de carne bovina nos últimos anos reforça a necessidade de rebanhos mais eficientes, padronizados e produtivos, o que impacta diretamente a demanda por sêmen de qualidade.
Somente em 2025, o Brasil abriu 211 novos mercados para o agronegócio. A pecuária passou a acessar 19 novos destinos, enquanto a genética bovina conquistou 15 novos mercados. Um avanço expressivo, que reforça as boas perspectivas para o setor em 2026.
Entre os mercados internacionais, o Japão merece atenção especial. O país tradicionalmente importa carne dos Estados Unidos, país que está com o menor rebanho bovino dos últimos 75 anos. Uma grande oportunidade para o Brasil, especialmente após o reconhecimento da nossa pecuária como livre de febre aftosa sem vacinação. Nesse movimento, as exportações brasileiras também podem alcançar outros mercados asiáticos, como o da Coréia do Sul.
Já a China, responsável por 48% das exportações brasileiras de carne em 2025, segue como o mercado mais estratégico, apesar da cota de importação definida pelos chineses em 1,106 milhão de toneladas, o que pode ser um sinal de alerta. Será importante acompanhar o comportamento dos embarques ao longo do ano.
As projeções da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) apontam para o aumento da demanda global por proteína até 2050. Isso reforça a necessidade de planejamento na nossa pecuária. O investimento contínuo em melhoramento genético é o caminho para ampliar a produção, aumentar a eficiência dos rebanhos e atender à crescente demanda global.


Caio Urbano

Texto Comunicação Corporativa