Pesquisa revela que mais da metade dos brasileiros nunca foi ao dermatologista
No Dia do Dermatologista, que foi celebrado em 5 de fevereiro, especialistas chamaram atenção para um dado preocupante: mais da metade dos brasileiros nunca foi ao dermatologista. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, realizada com mais de 2 mil pessoas em todo o país, 54% da população jamais passou por uma consulta dermatológica, mesmo reconhecendo que problemas de pele não se resolvem sozinhos.
O cenário reforça a importância do acompanhamento regular com o dermatologista, especialmente diante do avanço de tecnologias que ampliam a capacidade de prevenção, diagnóstico precoce e personalização dos tratamentos, como os testes genéticos e o sequenciamento do genoma.
Desigualdade no acesso ao cuidado dermatológico
Estudo conduzido pela L’Oréal em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, divulgado em 2025, aponta desigualdades relevantes no acesso ao cuidado com a pele. Homens, pessoas negras e indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica são os que menos procuram o dermatologista — um desafio adicional para a saúde pública e para a prevenção de doenças cutâneas.
Nesse contexto, ferramentas que aumentam a assertividade diagnóstica e ajudam a identificar riscos antes do aparecimento dos sintomas tornam-se ainda mais estratégicas.
Genética e câncer de pele: prevenção personalizada
Entre essas ferramentas, o sequenciamento genético por NGS (next generation sequencing) tem ganhado protagonismo. A tecnologia permite identificar predisposições hereditárias ao câncer de pele, como melanoma, possibilitando a adoção de estratégias de rastreamento e prevenção mais rigorosas e individualizadas.
“O sequenciamento genético consegue detectar diferentes tipos de alterações, desde pequenas variantes até mudanças estruturais mais complexas. Um exemplo é o gene CDKN2A: variantes patogênicas estão associadas a um risco de até 50% de desenvolvimento de melanoma ao longo da vida”, explica Cristovam Scapulatempo Neto, diretor médico de Patologia e Genética da Dasa Genômica.
Além do melanoma, a genética também auxilia na identificação de síndromes raras, como a Síndrome de Gorlin (ou Síndrome do Carcinoma Basocelular Nevoide), geralmente associada a mutações no gene PTCH1. “Essa alteração torna o paciente extremamente propenso ao carcinoma basocelular, o tipo de câncer de pele mais comum no mundo”, destaca o especialista.
O papel do dermatologista na antecipação dos cuidados
O diagnóstico genético é especialmente relevante porque algumas dessas condições podem se manifestar ainda na juventude, diferentemente da maioria dos tumores de pele, tradicionalmente associados ao dano solar acumulado ao longo dos anos. A identificação precoce permite que o dermatologista estabeleça um plano de acompanhamento contínuo e preventivo, reduzindo riscos e complicações futuras.
“A genética permite abordagens muito mais precisas na prevenção, principalmente na identificação de pacientes com alto risco para doenças de pele, como o melanoma”, afirma Luísa Juliatto, médica coordenadora do Núcleo de Dermatologia do Alta Diagnósticos.
Segundo a especialista, os testes genéticos hereditários costumam ser indicados, por exemplo, quando há histórico familiar de três ou mais casos de melanoma. “Esse mapeamento é essencial não apenas para o paciente, mas para toda a família, permitindo que parentes também sejam testados e acompanhados”, explica.
Núcleos especializados fortalecem a dermatologia preventiva
O avanço da medicina preventiva também impulsionou a criação de núcleos especializados em dermatologia no Brasil. Na Dasa, o Núcleo de Dermatologia do Alta Diagnósticos reúne, em um único espaço, exames de imagem, procedimentos diagnósticos e terapêuticos que apoiam a dermatologia clínica e cirúrgica, cosmiatria, oncologia cutânea e tricologia.
Entre os serviços oferecidos estão dermatoscopia, mapeamento de nevos, tricoscopia, ultrassom da pele, biópsias, dermatopatologia e pequenos procedimentos ambulatoriais.
“O cuidado integrado, aliado à genética, não substitui os hábitos preventivos, mas os potencializa. Pacientes com predisposição genética precisam redobrar a atenção com exposição solar e manter consultas dermatológicas mais frequentes. No Dia do Dermatologista, reforçamos que a prevenção começa com informação, acompanhamento especializado e uso inteligente da tecnologia”, conclui Luísa Juliatto.
Referências: