*Coronel Fernanda

Em minhas visitas aos municípios de Mato Grosso, onde tenho dialogado com a população sobre os trabalhos da CPMI do INSS, da qual sou a autora, e sobre as denúncias de descontos indevidos que atingiram aposentados e pensionistas em todo o país, eu encontrei mais do que indignação.

 

Encontrei frustração acumulada ao longo de anos, encontrei relatos de dificuldades crescentes e encontrei, sobretudo, um sentimento de abandono por parte de quem já contribuiu durante toda uma vida para construir este país.

 

A CPMI escancarou um problema grave, que é o desrespeito com o dinheiro do aposentado. Pessoas que trabalharam por décadas, que confiaram no sistema previdenciário e que contribuíram corretamente passaram a ver seus benefícios sofrerem descontos sem autorização, comprometendo ainda mais uma renda que já vinha sendo corroída pela inflação e pela perda do poder de compra. Não se trata apenas de números ou de falhas administrativas. Trata-se de dignidade.

 

Em cada cidade que percorri, ouvi a mesma preocupação. O recurso que chega ao bolso do aposentado já não é suficiente para custear medicamentos, alimentação, contas básicas e despesas essenciais.

 

Muitos relatam que se aposentaram recebendo o equivalente a cinco salários-mínimos e que hoje mal recebem dois. Essa realidade não pode ser naturalizada. Quem contribuiu com base em determinado patamar salarial tem o direito de ver sua aposentadoria preservada de forma justa, respeitando a lógica contributiva que sustenta o sistema previdenciário.

 

O tempo de contribuição não pode se transformar em instrumento de perda. Ao contrário, ele deve ser reconhecido como garantia de estabilidade e segurança na fase da vida em que o trabalhador mais precisa de proteção.

 

O envelhecimento não pode significar empobrecimento. Não é razoável que alguém que sustentou sua família, pagou impostos e cumpriu suas obrigações seja penalizado por mudanças econômicas, má gestão ou ausência de políticas eficazes de valorização dos benefícios.

 

O aposentado não é peso para o Estado. Ele é parte fundamental da história produtiva do Brasil. Cada benefício pago representa décadas de esforço, disciplina e contribuição. Por isso, é imprescindível que o Congresso Nacional trate o tema com a seriedade que ele exige. Precisamos discutir mecanismos de valorização real dos benefícios, assegurar que os reajustes acompanhem o custo de vida e garantir que nenhuma irregularidade volte a comprometer a renda de quem depende exclusivamente da Previdência.

 

Na Câmara Federal, seguirei trabalhando para que as investigações avancem, que os responsáveis por eventuais fraudes sejam punidos e que medidas estruturais sejam adotadas para proteger aposentados e pensionistas. Mais do que apurar erros, é necessário corrigir distorções históricas que vêm reduzindo o poder de compra de milhões de brasileiros.

 

Tenho dito em cada município que visito e reafirmo aqui: nossos aposentados e pensionistas não estão mais sozinhos. É dever do Parlamento assegurar que seus direitos sejam respeitados e que seus benefícios sejam pagos na quantia correta, com justiça e transparência. O Brasil precisa reconhecer que aposentadoria é direito adquirido com contribuição e não concessão que pode ser reduzida ao sabor das circunstâncias.

 

Continuarei defendendo, com firmeza, cada aposentado de Mato Grosso e do Brasil, porque quem trabalhou a vida inteira merece viver com dignidade, segurança e respeito.

 

*Coronel Fernanda é deputada federal por Mato Grosso.