
Especialista alerta que o preparo emocional de pais e crianças é decisivo para o aprendizado e o bem-estar no início do ano letivo
A volta às aulas, tradicionalmente associada à compra de material escolar e à reorganização da rotina familiar, passou a envolver um novo fator de atenção nos últimos anos: a inteligência emocional. Estudos de órgãos educacionais apontam que habilidades socioemocionais estão diretamente ligadas ao desempenho acadêmico, ao comportamento em sala de aula e ao bem-estar infantil. Pesquisas internacionais indicam que programas estruturados de aprendizagem socioemocional podem gerar ganhos de até 10% no rendimento escolar, além de contribuir para a redução dos níveis de estresse e ansiedade entre crianças e adolescentes.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o retorno à escola não deve ser encarado apenas como um recomeço pedagógico, mas como um processo de adaptação emocional que começa dentro de casa, muito antes do primeiro dia de aula.
“A criança sente a volta às aulas antes mesmo de colocar o pé na escola. Ela percebe o estado emocional dos pais, o nível de ansiedade, expectativa ou insegurança que circula no ambiente familiar”, explica Núria Santos, especialista em comportamento e inteligência emocional. “Quando os adultos não organizam as próprias emoções, acabam transferindo essa carga para os filhos.”, indaga Núria.
Órgãos educacionais e estudos em desenvolvimento infantil alertam que períodos de transição, como o retorno às aulas, tendem a intensificar sentimentos de ansiedade, insegurança social e medo de rejeição, especialmente entre crianças menores e adolescentes. Ao mesmo tempo, muitos pais relatam preocupação excessiva com desempenho escolar, socialização e resultados, o que pode gerar um ambiente emocionalmente sobrecarregado.
Segundo Núria, esse excesso de expectativa interfere diretamente no processo de aprendizagem. “Uma criança emocionalmente desorganizada não consegue acessar plenamente suas capacidades cognitivas. O emocional sustenta o aprendizado, não o contrário”, afirma.
A especialista explica ainda que a pressão precoce compromete o funcionamento do cérebro.
“Quando a criança retorna à escola já se sentindo cobrada ou comparada, o cérebro entra em estado de alerta. E um cérebro em alerta não aprende, ele se defende.”, relata a especialista.
Pesquisas em educação socioemocional mostram que crianças desenvolvem habilidades emocionais principalmente por observação e convivência, e não apenas por orientações verbais. A forma como os pais lidam com frustrações, mudanças e desafios influencia diretamente a maneira como os filhos enfrentam a rotina escolar.
“Inteligência emocional não se ensina no discurso, mas na prática diária”, destaca Núria Santos. “Quando o adulto valida o sentimento da criança, seja medo, empolgação ou insegurança, ela aprende que sentir é legítimo e que emoções podem ser organizadas, não reprimidas.”, explica Núria.
A especialista também ressalta a importância da escuta ativa nesse período.
“Perguntar como foi o dia precisa ser um convite verdadeiro à conversa. A criança precisa se sentir segura para falar sem medo de julgamento.”
Estudos educacionais reforçam que crianças inseridas em ambientes onde família e escola atuam de forma integrada apresentam melhor adaptação emocional, maior engajamento e relações sociais mais saudáveis. Programas de aprendizagem socioemocional tendem a ser mais eficazes quando encontram continuidade no ambiente familiar.
“A escola não substitui a família, e a família não substitui a escola. Quando ambas caminham juntas, a criança se sente segura para aprender, errar e evoluir”, reforça Núria.
Ela conclui destacando que a volta às aulas deve ser vista como um processo contínuo de cuidado emocional. “A volta às aulas não começa no portão da escola. Ela começa no emocional de quem cuida. E esse preparo, quando feito com consciência, acompanha a criança não só ao longo do ano letivo, mas por toda a vida.”, finaliza a especialista.
Sobre Núria Santos
CEO da Tijoleste e mentora do método Evo, Núria Santos atua com inteligência emocional aplicada e empreendedorismo feminino. Sua metodologia combina práticas de autoconhecimento, neurociência emocional e estratégia de performance.
Disponível para entrevistas e participação em matérias sobre:
Inteligência emocional, transições de carreira, empreendedorismo feminino, mudança de ciclos, desenvolvimento pessoal e relacionamentos entre pais e filhos.

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