Especialista lembra a importância de conhecer a história e conscientizar sobre a hanseníase

Culminando com a passagem do Dia Mundial contra a Hanseníase (25/01), o movimento de conscientização Janeiro Roxo lembra a importância de conhecer a história e combater o estigma da doença.
 
Embora a hanseníase seja antiga, ainda carrega preconceitos e desinformação, reforçados por séculos de estigmatização.
 
Para ajudar o público a compreender a doença e suas transformações ao longo do tempo, o médico infectologista Eduardo Toffoli Pandini, autor do livro "De Miasmas a Vacinas – Uma História das Doenças Infecciosas", compartilha curiosidades históricas e informações científicas sobre o tema.
 
1 - A hanseníase é mais antiga que a própria humanidade moderna
Os ancestrais do Mycobacterium leprae e do M. lepromatosis já causavam doença milhões de anos antes do surgimento do Homo sapiens, quando nossos ancestrais ainda viviam nas árvores.
 
2 - Confusão de diagnósticos na Antiguidade
Na Antiguidade, a hanseníase era frequentemente confundida com outras doenças de pele. Termos como “lepra” ou “tzaraat” designavam um conjunto amplo de enfermidades, e o diagnóstico tinha mais base religiosa e moral do que médica. Entre os hebreus, a tzaraat era vista como sinal de impureza ritual e, muitas vezes, punição divina, e o isolamento era determinado por sacerdotes.
 
3 - Percepção na Idade Média
Durante a Idade Média, pessoas com hanseníase nem sempre eram segregadas: muitas vezes eram vistas como figuras de sofrimento ou dignas de caridade. Com o tempo, surgiram os leprosários ligados a igrejas, que funcionavam como espaços de acolhimento, disciplina religiosa e assistência.
 
4 - Mudança com o medo do contágio
A percepção começou a mudar principalmente após a Peste Negra. A hanseníase passou a ser associada ao perigo sanitário, aumentando a segregação e alterando a forma como os doentes eram vistos.
 
5 - Descobertas científicas
Nos séculos XIX e XX, a microbiologia permitiu compreender a hanseníase como doença infecciosa. Além do clássico M. leprae, em algumas regiões da América Latina a doença é causada pelo M. lepromatosis, cuja linhagem se separou da do M. leprae há cerca de dez milhões de anos.
 
6 - Migração e disseminação pelo planeta
Evidências genéticas indicam que alguns humanos já carregavam linhagens de M. leprae quando saíram da África no Paleolítico. A bactéria se espalhou com as migrações humanas pelo Oriente Médio, Ásia, Europa, África e, mais tarde, para as Américas.
 
7 - Transmissão lenta e convivência prolongada
Embora transmitida principalmente pela respiração, a hanseníase exige contato íntimo e prolongado, geralmente por dias ou semanas, para que a infecção ocorra, sendo comum entre pessoas que convivem no mesmo domicílio.
 
8 - Estigma histórico e deformidades
As formas mais graves acometem nervos e extremidades mais frias do corpo, como nariz, orelhas, mãos e pés, provocando deformidades visíveis. Essas imagens reforçaram o estigma histórico da doença, mesmo com sua baixa transmissibilidade.
 
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