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Rondônia

Viver é conviver com o risco


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Não se pode deixar de elogiar o Governo de Rondônia que, agora, deu um passo à frente na crise do coronavírus, quando em muito boa hora, busca voltar não à normalidade, mas, sim a um “novo normal” na medida em que, com certeza, o vírus permanecerá entre nós por muito tempo até que se encontre uma vacina para evitá-lo.

Porém, não há como uma sociedade viver com o seu comércio, com a sua economia parada. Ainda mais quando se trata de uma sociedade na qual 84% afirmam que perderam renda com a atual situação. O que, para alguns poucos, é suportável, mas, há uma grande maioria de menos favorecidos, de autônomos, vendedores ambulantes, informais que necessitam buscar todo dia uma forma de sobreviver.

Sem contar que os micros, os pequenos empresários e até médios e grandes que não estavam bem estruturados, além de sofrerem com a falta de caixa, muitos se viram obrigados a demitir ou até mesmo fechar seus negócios.

Não é, como muitos dizem, que “matar os CNPJs, mas salvar CPFs”, mas, sim que “quando se matam CNPJs estão condenando ao desemprego, à pobreza e à morte muitos CPFs”. Os bens e serviços não caem do céu, como o maná na Biblia, logo se uma sociedade não produz, não distribui, não comercializa bens e serviços no primeiro momento, como a demanda continua a mesma e começa a oferta a ser menor, os preços sobem, mas, mesmo subindo, como não se produz, em pouco tempo começam a faltar os bens essenciais.

E aí, como não há quem fique parado para morrer de fome, as visões totalitárias do “fique em casa” vão para o brejo. Ficar em casa é o ideal, mas, a pergunta é quem pode ficar em casa? Quem deve, de qualquer forma, nós sabemos: são os grupos de risco. Quem não pertence ao grupo e não tem como ficar em casa tem que arranjar uma forma de sobreviver.

É o reconhecimento disto que faz com que o Governo de Rondônia, a partir de novos parâmetros, será reclassificou as fases para cada município, que passaram a vigorar nesta terça-feira (16). E o faz com responsabilidade ao estabelecer rígidos protocolos de segurança sanitária a serem adotados em cada setor de atividade econômica.

Em especial criaram-se protocolos mais fortes para Porto Velho Shopping, que nesta fase não terá o funcionamento da praça de alimentação do shopping. Também muito importante é a volta de salões de beleza e barbearias, lojas de eletrodomésticos, de bens de informática e de confecções (vedado provar roupas e calçados), bem com a do transporte rodoviário intermunicipal e os demais serviços de transporte público ou particular, coletivo e individual. Com estes protocolos, o uso de máscara mantido, assim como o uso do álcool em gel nos estabelecimentos e demais medidas de prevenção ao Coronavírus se caminha rumo a uma retomada da normalidade.

É preciso ter em conta que o isolamento, além dos problemas econômicos, resulta em muitas mortes por pobreza, por falta de acesso dos não-coronavírus aos serviços médicos e a problemas mentais que, se medidos, resultam em um quadro muito pior do que o do vírus até porque os registros de mortes em 2020, comparados com o mesmo período de 2019, não são muito diferentes. Evidentemente que, mesmo com a retomada gradual da economia, devem ser evitadas as aglomerações. Há riscos, é claro, mas, o risco está em tudo que se faz. E nós não podemos ficar sem inermes, sem vida. Precisamos voltar a viver normalmente, qualquer que seja o “novo normal”.

Por Vanderlei Oriani