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Vivemos tempos difíceis no Brasil e no mundo. Tempos de intolerância – Por Acir Gurgacz

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 Os confrontos de torcidas politizadas na avenida Paulista, os protestos a favor e contra o governo em Brasília, as manifestações nas ruas de Minneapolis e em muitas cidades dos Estados Unidos, contra o racismo, a polícia e a política, por mais legítimas que sejam, e devam acontecer em qualquer democracia, revelam apenas a ponta do iceberg de um comportamento que vem crescendo nos últimos anos e que se manifesta de maneira ainda mais agressiva nas redes sociais: que é a INTOLERÂNCIA!

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O roteiro dessa doença social é mais ou menos assim: a minha opinião é a que vale mais! – a partir desse pressuposto, a discussão começa em casa, se aquece nos colégios e universidades, vira briga nos bares e nas ruas e se escancara nas redes sociais.
São cada vez mais comuns as brigas por causa de partidos ou posições políticas, raça, cor, religião, opção sexual ou opiniões diferentes.

Militantes são hostilizados nas ruas, políticos são vaiados em locais públicos, negros e gays são hostilizados e mortos, o fanatismo religioso oprime os fiéis e amizades se desfazem nas redes sociais.

A sociedade parece estar se esquecendo do quanto é importante conviver com as diferenças, aceitar o novo, a mudança ou uma opinião contrária para se manter a convivência social e para evoluirmos como sociedade.

E, por mais que o isolamento social – adotado como medida de prevenção contra a Covid-19 – tenha proporcionado mais tempo para as pessoas refletirem sobre si mesmas e sobre o mundo atual – e despertarem para a solidariedade – o que vemos crescer é o individualismo, o ódio, a dificuldade de aceitar a opinião contrária.

A intolerância está aumentando e acirrando os ânimos das pessoas, de grupos, de movimentos sociais, de torcidas e de partidários do governo ou da oposição.

A intolerância e o radicalismo de cada individuo ou de grupo social é tão grande que presenciamos verdadeiros diálogos de surdos-mudos, protestos de fanáticos pela verdade absoluta e manifestações de pensamento único, sem espaço para o contraditório, para a construção de um consenso que seja bom para todos.

Desse jeito, não avançamos, não chegamos a lugar nenhum, não exercitamos e nem aperfeiçoamos a nossa democracia.

Todos sabem que a democracia é o exercício do diálogo. Quando não há o debate de ideias, como fazemos aqui no Congresso Nacional, prevalece o pensamento único, que leva ao ódio e a ações violentas por parte de quem quer impor esse pensamento e também de quem é contra.

Com isso, instala-se a barbárie e o caos.

Eu creio que ainda estamos longe disso, mas precisamos tomar cuidado, pois a intolerância crescente é um caminho para o caos social, para a desordem que querem criar em nome da ordem e do progresso.

Chegou o momento em que precisamos deixar de lado as diferenças e nos unirmos em prol do Brasil e de um mundo melhor.
Os partidos, seus líderes e todos os políticos precisam deixar de lado os projetos individuais em favor de um projeto comum de País.

Precisamos nos unir! Todos os poderes: o Congresso, o Judiciário e o Executivo precisam trabalhar alinhados para que o Brasil supere essa crise sanitária e de saúde provocada pelo coronavírus, e a decorrente crise econômica e social que estamos enfrentando e que vai se agravar ainda mais nos próximos meses.

Precisamos nos preparar melhor para esses tempos difíceis.

Precisamos nos conscientizar, nos organizar e nos mobilizar para essa mudança.

E só com união, com respeito às diferenças, em defesa da vida, da liberdade e da democracia é que vamos conseguir superar esse momento de crise e construir a grande Nação que podemos ser.

Conviver com as diferenças tem que ser o novo normal no mundo atual. Somos quase 8 bilhões de indivíduos com opiniões, crenças, valores e contextos diferentes, mas precisamos viver em paz.

E, para vivermos em paz, numa sociedade saudável, democrática e justa, precisamos exercitar a tolerância, a empatia, o respeito à diversidade e o amor ao próximo.

Precisamos cultivar os valores humanitários e praticar as atitudes que possam nos conduzir para uma sociedade mais igualitária e justa, mesmo que plural e diversa.

A história nos mostra que os resultados de movimentos políticos extremos, autoritários e intolerantes com as diferenças foram prejudiciais para todos.

Basta lembrarmos a inquisição religiosa na Idade Média, a escravidão, o nazismo e o holocausto judeu, as ditaduras e regimes de exceção.

Não podemos retroceder.

Não podemos tolerar a intolerância.

O passado tem que servir apenas de lição para construirmos um futuro melhor para nós, nossos filhos e netos.

Vamos agir agora. Vamos ser mais tolerantes já! – exercendo o diálogo e respeitando as diferenças. A mudança começa em cada um de nós!

Um grande abraço a todos!

Senador Acir Gurgacz (PDT-RO)