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Um movimento pelo parto mais adequado a cada mulher


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O Brasil possui a segunda maior taxa de cesáreas do mundo, atrás somente da República Dominicana, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados são alarmantes: hoje, 56% dos nascimentos no país ocorrem por via cirúrgica, o que está muito distante dos 15% recomendados pela própria OMS. Destrinchando os números brasileiros, o percentual de cesáreas representa 35% dos nascimentos no SUS (Sistema Único de Saúde), enquanto nos hospitais particulares essa taxa chega a 83%.

O alerta é global. O índice de cesáreas aumentou demais nas últimas décadas. A OMS estima que a média atual de cesarianas realizadas pelo mundo seja de 18,6% dos partos, sendo que em 1990 esse índice era de apenas 6%. Para lidar com esse cenário, no início deste ano a entidade anunciou 56 medidas para evitar intervenções médicas desnecessárias, como a melhoria da comunicação entre os médicos e as pacientes e recomendações de posições para facilitar o parto.

Cabe ressaltar que a cesariana é um recurso valioso capaz de salvar vidas em quadros críticos. Porém, trata-se de uma cirurgia e, como qualquer outra, envolve riscos. Já o parto normal traz benefícios para o bebê e para a mãe: durante o nascimento, a mulher produz em maior quantidade a ocitocina, hormônio que promove o vínculo afetivo com o filho, e a prolactina, que favorece a amamentação.

Mundialmente, iniciativas têm sido aplicadas para promover a redução de cesáreas. No Brasil, em 2015 foi criado o projeto Parto Adequado, uma parceria entre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement, com o apoio do Ministério da Saúde. Voltado à saúde suplementar, o programa tem como objetivo identificar modelos inovadores de atenção ao nascimento, que valorizem o parto normal e diminuam o percentual de cesáreas sem indicação. Do total de 68 operadoras participantes do projeto, 36 integram o sistema Unimed, ou seja, mais da metade.

Cada gestação é única e, portanto, o tipo de parto a ser realizado considera muitas variáveis. Mas é fundamental que as mães tenham a garantia de que estão recebendo a indicação do procedimento mais adequado. A conscientização dos setores de saúde pública e privada e da própria população é decisiva para repaginarmos essa história.

*Dr. Orlando Fittipaldi Jr. é médico com MBA em Administração de Serviços em Saúde e diretor de Gestão de Saúde da Unimed do Brasil

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