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Mato Grosso

Taques admite corrupção em seu governo, mas contesta veracidade de delações no STF

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O governador Pedro Taques (PSDB) se disse “muito triste”, na manhã desta segunda-feira (24), com os casos de corrupção que ocorreram em seu governo. Com onze secretários supostamente envolvidos em irregularidades, o tucano admitiu que não conseguiu frear os escândalos que incluem desvios de verba da educação, do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e da saúde, mas contestou a existência de delações premiadas no Supremo Tribunal Federal (STF) que indiquem sua participação nos esquemas.

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“Houve corrupção no nosso governo. Não vou mentir, porque não sou dado a mentira. O caso da Seduc começou em 2008, envolvendo deputados e muito mais. O que muda, é a maneira como você trata a corrupção. Não passei a mão na cabeça de ninguém. Mas vocês viram a delação? Os documentos? O STF tem um documento dizendo que foi homologado? Meus advogados estão atrás disto, mas não vi objetivamente esta resposta”, declarou Pedro Taques, durante entrevista concedida à Rádio Jovem Pan.

Conforme foi repercutido por toda a mídia, inclusive a nacional, o jornal Folha de S. Paulo revelou que o ministro Marco Aurélio, do STF, homologou os acordos de colaboração premiada do empresário Alan Malouf e do ex-secretário de Educação Permínio Pinto, ambos envolvidos no esquema de fraude em contratos da Seduc para beneficiar empreiteiras em troca de propina para quitar dívidas da campanha eleitoral de Pedro Taques de 2014.

Tanto Malouf quanto Permínio Pinto afirmam em suas delações que o governador tinha total conhecimento do esquema. O ex-secretário de Educação teria, ainda, entregue mensagens de WhatsApp aos investigadores, em que Taques aparece pedindo para que ele facilitasse licitações, com o objetivo de beneficiar os seus credores.

O depoimento de Alan Malouf e de Permínio Pinto teria, inclusive, levado a juíza aposentada Selma Arruda (PSL), candidata ao Senado pela coligação de Pedro Taques, a declarar “independência” da chapa governista. “Para mim são indícios muito fortes do envolvimento dessas pessoas com aquele esquema da Seduc, da operação Rêmora”, disse, ao anunciar o rompimento.

O governador nega todas as acusações. “Mato Grosso é o segundo estado do Brasil que mais aplica a lei anticorrupção e o sexto que mais tem transparência, porque mudamos a administração. Houve casos? Sim, e é muito triste. Fizemos tudo para que não ocorresse, mas assim que ocorreu, tomamos todas as providências. Não tenho nada de errado que possa comprometer a minha honra”.