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Suspeita de sarampo deixa município de Mato Grosso em alerta


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A suspeita de sarampo em uma criança de nove meses colocou as autoridades de saúde de Tangará da Serra (240 quilômetros, ao sudoeste de Cuiabá) em alerta. O caso ainda não está confirmado, mas já teve diagnóstico preliminar positivo para a doença. Com isso, exigirá vacina de bloqueio entre as pessoas não vacinadas que tiveram contato com a criança. No Estado, a última confirmação de sarampo ocorreu em 1999.

O caso foi notificado na Vila Horizonte, em Tangará da Serra. De acordo com a enfermeira chefe da Vigilância Epidemiológica do município, Juliano Herrero, a criança apresentou os sintomas no começo do mês e já havia passado por atendimento médico. “No dia 07, ela foi avaliada na Clínica da Família e a suspeita inicial era zika. Então, foi feita a coleta de sangue, que foi enviado para Cuiabá”, disse.

Segundo ela, ainda na sexta-feira foi enviado ao município, o resultado da primeira mostra do material que deu reagente para o sarampo. Porém, é aguardado resultado final do exame, que deve sair em uma semana. Caso confirmado, as informações são de que a criança pode ter contraído a doença tanto em Tangará da Serra como em Cuiabá, onde ela esteve recentemente. A vacina (dupla, tríplice viral e a tetraviral) que protege contra o sarampo só pode ser aplicada após um ano de vida e a doença pode ficar encubada por até 21 dias.

No Brasil, já se sabe que o vírus transmissor da infecção viral continua em circulação no país, que corre o risco de perder o certificado de eliminação do sarampo concedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Situação agravada pela baixa cobertura vacinal em 2.751 municípios brasileiros. Em 2018, Mato Grosso atingiu 99,02% de cobertura vacinal contra o sarampo em uma população de 202.2016 meninos e meninas entre um ano a quatro anos de idade durante a campanha nacional de imunização.

Contudo, levando-se em consideração apenas a faixa etária de um ano, o índice ficou abaixo do preconizado pelo Ministério da Saúde (MS) que é de 95%. Nesta etapa de vida, de um total de 53.508 crianças, 48.241 (90,16%) foram imunizadas. Em 2017, a cobertura vacinal estadual da tríplice viral foi de 84%.

Atualmente, os estados do Amazonas, Roraima e Pará estão com transmissão ativa do vírus transmissor do sarampo por registrarem casos confirmados recentes da doença. Essa situação associada à baixa cobertura vacinal tem preocupado as autoridades públicas ligadas a área da saúde. Por isso, em fevereiro passado, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), que conta com representantes das secretarias estaduais e municipais de saúde, além do Governo Federal, propôs um novo pacto sobre vacinação em todo país.

Por isso, o MS reforça que é muito importante que todas as pessoas estejam vacinadas e, portanto, protegidas contra a doença. Em muitos casos, por não terem mais notícia da circulação de algumas doenças no país, a exemplo da poliomielite também, pais e responsáveis não as vêm mais como um risco, como é o exemplo do sarampo. Por isso, é necessário ressaltar a importância da imunização e desmistificar a ideia de que a vacinação traz malefícios.

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmitida pela fala, tosse e espirro, e extremamente contagiosa, mas que pode ser prevenida pela vacina. Pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. As complicações infecciosas contribuem para a gravidade da doença, particularmente em crianças desnutridas e menores de um ano de idade. Em algumas partes do mundo, a doença é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos de idade. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente duas vacinas que protegem contra o sarampo: a tetra viral que protege, além do sarampo, contra a rubéola, caxumba e varicela, e é administrada aos 15 meses, e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), também aos 15 meses.

A transmissão do sarampo ocorre de forma direta, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Por isso, é elevado o poder de contágio da doença. A transmissão ocorre de quatro a seis dias antes e até quatro dias após o aparecimento do exantema. O período de maior transmissibilidade ocorre dois dias antes e dois dias após o início do exantema. O vírus vacinal não é transmissível. A doença afeta, igualmente, ambos os sexos. A incidência, a evolução clínica e a letalidade são influenciadas pelas condições socioeconômicas, nutricionais, imunitárias e àquelas que favorecem a aglomeração em lugares públicos e em pequenas residências.