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Surto psicótico – como é e o que deve ser feito?


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O que é surto psicótico?

O surto psicótico caracteriza-se pelo aparecimento repentino de sintomas como alterações de comportamento, alucinações ou delírios, que duram apenas por um curto período de tempo, usualmente menos de um mês. A pessoa em surto psicótico pode tornar-se agressiva, agitada, isolada ou com comportamento bizarro, e pode colocar a vida dela e de outros em risco. Existem três formas básicas de tais distúrbios psicóticos breves:

  1. Transtorno psicótico breve com estresse óbvio (também chamado de psicose reativa breve)
  2. Transtorno psicótico breve sem estressor óbvio
  3. Transtorno psicótico breve com início no pós-parto

Quais são as causas do surto psicótico?

Os especialistas ainda não sabem completamente o que causa um distúrbio psicótico breve. É possível que exista uma ligação genética, uma vez que ele é mais comum em pessoas que têm histórico familiar de transtornos psicológicos. Outra possibilidade é que o surto psicótico surja a partir de condições psiquiátricas subjacentes como esquizofrenia, transtorno bipolar, uso e abstinência de substâncias, etc., ou condições médicas gerais como, por exemplo, infecções, condições pós-operatórias, intoxicação por medicamentos, etc.

Na maioria dos casos, o distúrbio é desencadeado por um grande estresse ou evento traumático, que funciona como um gatilho.

Quais são as principais características do surto psicótico?

Nem todos os episódios psicóticos sinalizam o início de um transtorno mental de longo prazo. Na verdade, quando os pacientes experimentam uma interrupção de curto prazo com a realidade, não fica claro o que se pode esperar deles e como eles devem ser diagnosticados. Na história da psiquiatria, sempre foi um desafio entender o prognóstico de episódios psicóticos breves e remitentes.

A Organização Mundial de Saúde, em sua 10ª Edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID-10), chama de “transtorno psicótico agudo e transitório” episódios que duram menos de um mês e não preenchem os critérios para serem diagnosticados como esquizofrenia. Depois desses surtos, as pessoas geralmente se recuperam completamente, às vezes ficando com alguma “alteração” psíquica. Outras classificações consideram esses eventos psicóticos não como distúrbios em si mesmos, mas como fatores de risco para psicose futura.

Os sintomas mais óbvios dos surtos psicóticos incluem comportamentos bizarros, alucinações em vários órgãos dos sentidos, delírios, pensamento desorganizado, fala ou linguagem que não faz sentido, comportamento e vestimentas incomuns, problemas com a memória, desorientação ou confusão mental, mudanças nos hábitos alimentares ou de sono e incapacidade de tomar decisões.

Como o médico diagnostica o surto psicótico?

O médico conduzirá uma entrevista clínica minuciosa e obterá um histórico médico e psiquiátrico do paciente, realizará um exame físico e, possivelmente, pedirá exames de sangue ou urina para descartar ou afirmar algumas possíveis causas, como o uso de substâncias, por exemplo. Às vezes, o médico também pode solicitar um estudo de imagens do cérebro se ele achar que pode haver uma anormalidade cerebral.

Se nenhuma explicação física óbvia for encontrada para os sintomas, o médico pode encaminhar a pessoa a um psiquiatra ou psicólogo, que usa ferramentas de entrevista e avaliação especialmente projetadas para avaliar uma pessoa para um transtorno psicótico.

Como lidar com o paciente num surto psicótico?

  1. Não confrontar a pessoa em surto. Manter uma postura neutra e compreensiva até que a ajuda especializada chegue.
  2. Proteja quem estiver por perto com o controle do ambiente, afastando objetos que podem ser usados para agressões (facas, armas e utensílios perigosos).
  3. Vigie a pessoa se houver risco de fuga ou autoagressão.
  4. Se o surto é resultado do não uso de uma medicação, administre-a imediatamente. 
  5. Se o paciente estiver em tratamento, deve-se entrar em contato com o profissional que o atende para orientações específicas.
  6. Se houver risco de agressividade, suicídio ou homicídio iminente, deve-se entrar em contato com a polícia para garantir a integridade da pessoa afetada e daqueles que estão com ela no momento do surto.
  7. Se os acompanhantes conseguirem manejar o indivíduo, ele deve ser encaminhado para um serviço psiquiátrico de emergência.
  8. Em casos graves, a internação psiquiátrica é necessária para investigação e intervenções apropriadas. Casos mais leves podem ser atendidos em ambulatórios e não necessitam internação.

Não menospreze um surto psicótico, isso pode colocar o paciente e seus familiares em risco. Encaminhe o paciente para cuidados especializados e não espere uma melhora espontânea. Esta atitude pode fazer uma grande diferença, por mais difícil que pareça ser colocá-la em prática. Os cuidados adequados destinados a um familiar querido que esteja apresentando um surto psicótico são fundamentais, dessa maneira você estará ajudando na recuperação e no tratamento.

Como o médico trata o surto psicótico?

Um surto psicótico é sempre uma emergência médica e exige tratamento especializado. Alguém com transtorno psicótico breve provavelmente receberá medicação para tratar sintomas psicóticos e possivelmente também psicoterapia, sobretudo depois de decorridos os episódios mais agudos.

Se a pessoa com esta condição está muito ansiosa ou tem problemas com o sono, o médico pode prescrever tranquilizantes. Os pacientes podem precisar ser hospitalizados por algum tempo se os sintomas forem graves ou se puderem prejudicar a si mesmos ou a outra pessoa. Quanto mais cedo o tratamento, melhor o resultado.

Como evolui em geral o surto psicótico?

Por definição, o transtorno psicótico breve deve durar menos de um mês, após o qual a maioria das pessoas se recupera completamente. Embora seja raro, para algumas pessoas isso pode acontecer mais de uma vez. Se os sintomas durarem mais de seis meses, os médicos devem considerar se a pessoa tem esquizofrenia.

O paciente deve ser encaminhado para fazer uma psicoterapia após recuperação do surto e continuar a usar suas medicações conforme orientação de um médico psiquiatra.

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