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Quando considerar a adoção?

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Por infertilidade ou vontade de aumentar a família sem passar por uma gestação, muitas pessoas optam por adotar uma criança. O processo no Brasil é longo e bastante cuidadoso, o que requer preparo e paciência por parte dos pretendentes; é preciso estar muito certo de suas intenções e de suas condições para passar por todas as etapas. Sabendo disso, quem ainda está em dúvida pode se perguntar: quando considerar a adoção?

A resposta é mais simples do que se imagina, como resume Carla Guth, psicóloga especializada em família e construcionismo: “A adoção tem que ser ancorada em um único desejo: o de ter um filho. É isto que indica que chegou a hora da tomada de uma decisão tão importante”.

Denise Figueiredo, psicóloga e sócia-diretora do Instituto do Casal, acrescenta que, quando se trata de uma decisão de duas pessoas, o sinal fundamental para seguir por esse caminho é que o casal esteja em sintonia no desejo de optar pela adoção. “Ainda mais levando em consideração a dificuldade para se adotar uma criança no Brasil, será necessário ter muita paciência e apoio em algumas tentativas que, inicialmente, podem ser frustradas”, afirma.

O mesmo sentimento e a mesma paciência valem quando a adoção será realizada por apenas uma pessoa, em uma maternidade ou paternidade solo. “Uma pessoa solteira com as motivações de ser mãe ou pai e ter uma família com muito amor opta pela adoção por ter chegado a desejos que independem de ter um parceiro ou uma parceira. Isso é maior que quaisquer medos de criar sozinho uma criança”, diz Guth.

Para Figueiredo, “a pessoa que tem interesse em partir para a adoção vai saber o momento certo para a realização do processo. Solteira ou não, a decisão deve ser tomada com cautela”.

As duas psicólogas reforçam que esse desejo tem que ser genuíno e não relacionado a interesses secundários. “A criança adotada não pode entrar como uma ferramenta ou instrumento para consertar o casamento, servir de companhia na velhice, exercício de caridade ou resolver problemas existenciais de relacionamento do casal”, destaca Guth, que complementa: “Adotar é uma decisão muito séria, que não pode ser tomada por impulso, mas sim com muita consciência”.

Por isso, mesmo com toda a convicção que possa haver, é primordial garantir três aspectos do preparo pessoal ou do casal para ter certeza de que considerar adotar uma criança é uma boa ideia: o emocional, o físico e o social.

Qual o preparo emocional para adotar uma criança?

Uma vez compreendida a motivação sincera dos pais, é importante dar atenção ao preparo emocional. A recomendação, tanto das especialistas quanto do próprio processo de adoção oficial por meio da Vara da Infância e Juventude, é passar por cursos, palestras e grupos de apoio. Eles são essenciais para ajudar a diminuir a idealização do filho e contribuem para a maturidade emocional ao longo do processo de adoção.

Nesse meio tempo também é interessante lidar com situações pessoais, e aqui se dedica um olhar mais atencioso às pessoas que sofrem de infertilidade ou passaram por vários abortos espontâneos. A psicóloga Carla Guth esclarece que “é necessário passar pelo processo de luto daquele filho biológico que não nasceu” para poder estar aberto ao filho que virá pela adoção.

Tudo isso porque o controle da ansiedade é essencial durante o processo de adoção e eventuais decisões que precisem ser tomadas ao longo desse tempo devem ser feitas com a mente tranquila, para evitar arrependimentos no futuro. Por exemplo: aceitar adotar irmãos, porque “não aguenta mais” esperar na fila e depois se dar conta de que só tinha estrutura para uma criança – adotar é uma escolha definitiva, afinal de contas.

Como adequar o local em que a criança será criada?

Ao decidir adotar uma criança também é indispensável planejar a casa ou apartamento em que ela será criada. “O ambiente tem que ser seguro e adequado para uma vida confortável, com higiene, sem substâncias nocivas e um espaço para dormir, brincar, fazer suas atividades”, lista a psicóloga Denise Figueiredo.

O espaço social também deve ser considerado

Vale lembrar que a criança chegará a um núcleo familiar e de amigos que convivem com quem passará a ser responsável por ele, e esses grupos também precisam fazer parte do acolhimento a ela. “Deve-se estar preparado para lidar com as perguntas que as pessoas irão fazer, principalmente se houver grandes diferenças físicas entre pais e filhos”, observa Guth.

Trabalhados os preparos emocional, físico e social da adoção, aquele sentimento genuíno mencionado inicialmente fica ainda mais reforçado.

Adotar para “dar um irmão” a um filho ou a uma filha?

Assim como não é aconselhado adotar para consertar casamento ou ter companhia na velhice – criança nenhuma deve ser obrigada a carregar esse peso -, aumentar a família por meio da adoção para que não haja mais filho ou filha único em casa não é uma motivação válida. Lembre-se: não se trata de uma “ferramenta” ou de um “instrumento”, mas de uma criança!

Preparo para a adoção quando já há um filho ou uma filha na família

Porém, se o desejo de adoção for genuíno e já houver um filho ou filha na família – biológico ou adotivo -, é bom lembrar de incluir essas crianças no processo. “Neste momento, a atenção dos pais na preparação das crianças se torna essencial”, diz Guth, que prossegue: “Numa gestação de um segundo filho, o irmão mais velho tem os nove meses para se adaptar à chegada de um novo membro na família. No caso de um irmão adotivo, esse tempo é vivido de forma diferente. A ideia central é que a criança participe ativamente do processo, desde a decisão, a espera e a chegada”.

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