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Policial penal aposentado vai a júri popular por provocar aborto e manter ex-namorada em cárcere privado no AC


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O policial penal aposentado Henning Renato de Oliveira Rocha vai a júri popular por violência doméstica. O servidor público é suspeito de sequestrar, manter em cárcere privado e provocar o aborto na ex-namorada em fevereiro de 2013 na capital acreana, Rio Branco.

O caso foi divulgado pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) na segunda-feira (21). Em fevereiro deste ano, a Justiça pronunciou o suspeito a júri popular, mas ele entrou com um recurso contra a decisão. Após análise do recurso, membros da Câmara Criminal negaram o pedido.

Rocha aguarda as investigações e o andamento do caso em liberdade.

Vítima abriu uma janela do apartamento e pediu ajuda para uma vizinha quando o suspeito saiu  — Foto: Reprodução

Vítima abriu uma janela do apartamento e pediu ajuda para uma vizinha quando o suspeito saiu — Foto: Reprodução

Ao G1, a defesa do servidor afirmou que não vai se posicionar sobre o processo. Contudo no processo, que a reportagem teve acesso, a banca de advogados alega que o cliente ‘nega veementemente as acusações sofridas, informando que teve sim um relacionamento com a suposta vítima, relacionamento este precário, conturbado, que nunca foi adiante, causando os mais variados transtornos’.

O Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) confirmou que Rocha se aposentou no mês de abril. A reportagem não conseguiu contato com a vítima até a última atualização desta reportagem.

Segundo os autos, o policial e a vítima tinham um relacionamento amoroso e ela estava grávida de três meses na época dos fatos. Contudo, o policial não queria a criança. No dia 23 de dezembro de 2013, ele teria ligado para a vítima e pedido para ela ir até a casa dele no Conjunto Rui Lino. Lá, ele teria trancado a vítima dentro da residência, agredido ela a tapas e algemado as mãos dela.

O processo destaca também que o servidor tapou a boca da ex-namorada com um pano, que fez ela passar mal e ter uma crise de asma. Com isso, o policial retirou o pano, porém, voltou a bater na mulher.

Justiça determinou que policial penal seja julgado por um júri popular — Foto: Divulgação/TJ-AC

Justiça determinou que policial penal seja julgado por um júri popular — Foto: Divulgação/TJ-AC

Aborto forçado

A violência sofrida pela vítima se agravou dentro da casa. Os autos afirmam que o policial rasgou as roupas da mulher com uma faca e introduziu comprimidos de medicamento abortivo nas partes íntimas dela e ainda a forçou a tomar outros três.

A mulher relatou que foi colocada dentro de um carro e levada para a cidade de Plácido de Castro, interior do Acre, em uma vila que faz fronteira com a Bolívia. Ele contou à Justiça que começou a sangrar durante a viagem e o suspeito comprou uma bermuda e absorventes.

Na fronteira, a vítima recordou que o suspeito comprou mais comprimidos abortivos e ele retornou para Rio Branco. Conforme o processo, durante a viagem, a mulher estava algemada porque o policial não tinha as chaves do equipamento.

Ao voltar para a capital, ele teria pedido ajuda para alguns colegas de trabalho e conseguiu retirar as algemas. A denúncia segue relatando que a vítima foi levada para a casa do ex-namorado novamente, onde acabou desmaiando no banheiro. O próprio policial teria reanimado a mulher.

Pedido de ajuda

Ainda segundo o processo, após ser reanimada, a vítima abriu uma janela da casa quando o suspeito saiu para atender uma ligação e pediu ajuda para uma vizinha. Essa mulher emprestou o celular e a vítima ligou para a mãe dela relatando o que acontecia.

Quando voltou para a casa, o policial penal pegou a jovem e saía do local quando recebeu uma ligação da avó da vítima afirmando que a polícia estava a caminho do lugar para resgatar a mulher. Nesse momento, de acordo com o processo, o suspeito deixou a ex-namorada perto da casa e fugiu no carro.

Uma viatura da Polícia Militar levou a vítima para a Maternidade Bárbara Heliodora, onde se confirmou o aborto e ela fez uma curetagem. Segundo a Justiça, a mulher ficou dois dias sob o poder do policial penal.

A família da vítima afirmou para a Justiça que não sabia da gravidez, que o casal tinha um relacionamento desde 2010, conturbado.

Após deixar a maternidade, a mulher buscou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e denunciou o crime.

Em 2015, o Ministério Público do Acre (MP-AC) ofereceu denúncia contra o suspeito por sequestro, cárcere privado e aborto provado por terceiro.

G1.globo.com