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Planalto monitora ato de servidores contra reforma administrativa


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Nas próximas semanas, a política estará em ebulição. O mês de março terá atos favoráveis e contrários ao governo. Após a turbulência provocada pelo apoio de alas do Planalto ao ato contra o Congresso, marcado para o dia 15 de março, articuladores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estão de olho em outra manifestação: a greve dos servidores públicos contra a reforma administrativa, agendada para 18 de março. O temor é que a reação ao primeiro movimento empunhe bandeiras como o “Fora Bolsonaro”.

Entre outros fatores, a análise de risco leva em consideração a abrangência que as manifestações terão. Para o governo, se o ato do dia 15 for um fiasco e atrair pouco apoio, a derrocada pode se tonar combustível para o movimento organizado pelos servidores. Mesmo se tiver sucesso, ainda fica o temor do rebote.

Seja pró ou contra, o governo está atento. Na prática, será colocado em xeque em um curto espaço de tempo (apenas três dias) os índices de popularidade do governo e de Bolsonaro. Neste contexto, foram escaladas a Secretaria de Governo da Presidência e Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência para traçarem uma estratégia para conter uma hipotética crise.

A mais recente pesquisa, divulgada em janeiro pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), apontou melhora no cenário de aprovação do governo. O levantamento indica que 34,5% da população brasileira consideram o governo “ótimo” ou “bom”. Outros 31% avaliam como “ruim” ou “péssimo”. Números que serão testados no próximo mês.

Embate
Rui Tavares Maluf, cientista político e sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), tem acompanhado a organização dessas manifestações. Ele avalia que a “tensão” criada pelo governo ao apoiar manifestações contra o Congresso complica a negociação de pautas com parlamentares, por exemplo.

É que chancelar o ato contra o Parlamento pode ser interpretado como um ataque à democracia e atrair opositores. “Mesmo com as últimas falas e desmentidos, a manifestação que as forças estão organizando pró-Bolsonaro vão acontecer, mesmo que não sejam claramente para afrontar o Congresso”, aposta.

O especialista explica que a manifestação dos servidores servirá como contrarresposta e que o embate indiretamente foi alimentado pelo Planalto. “O próprio governo tem encaminhado mal sua pautas. O correto seria explicar as mudanças (da reforma administrativa) e diluir o que se pretende”, avalia. O cientista político não descarta a adesão de outros setores da sociedade ao movimento.

Reação
O presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado (Fonacate), Rudinei Marques, acredita que as manifestações serão o ápice para os recentes desentendimentos entre servidores e governo. Ele concorda que o movimento pode atrair alas da sociedade que estão insatisfeitas com o governo.

“Só existe essa alternativa, porque a série de ataques é tão profunda e contínua que nos resta apenas ir às ruas contra a destruição do Estado Social”, pondera.

Para ele, a data escolhida para o ato contra o Congresso não foi aleatória. “Acho que a intenção deles foi essa: antecipar a mobilização de rua e esvaziar o dia 18. Mas pode funcionar ao contrário. Os atos que seriam contra as reformas que retiram direitos trabalhistas e sociais, podem se transformar em atos contra Bolsonaro”, arrisca.

Professores aderem
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) acredita na adesão da maior parte das carreiras do funcionalismo. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, está otimista com a adesão da categoria. Segundo ele, devem participar do movimento cerca de 4 milhões de professores e profissionais da educação em todo o país.

Metrópoles entrou em contato com o Palácio do Planalto para saber a abrangência do monitoramento dos atos e quais serão as estratégias adotadas pelo governo. Até a última atualização desta reportagem, o órgão não havia respondido. O espaço continua aberto para esclarecimentos.

FONTE: METROPOLES