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Paulo Shockness, ex-ferroviário da EFMM, morre aos 87 anos em Porto Velho

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O ex-ferroviário da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), Paulo Shockness, morreu na última semana, aos 87 anos, vítima de pneumonia e infecção generalizada. Paulo era conhecido na história rondoniense por lutar pelos direitos do trabalhadores da ferrovia.

O velório aconteceu na tarde da última sexta-feira (10), na Primeira Igreja Batista, na região central de Porto Velho. O corpo foi enterrado no Cemitério Santo Antônio. Paulo Shockness deixa dois filhos, netos, bisnetos e uma esposa, de 94 anos, que sofre de alzheimer.

Paulo nasceu em 1931 e foi contratado para trabalhar na estrada de ferro aos 15 anos. Destemido pioneiro, passou por quase todos os setores da ferrovia, da marcenaria a carpintaria.

De acordo com Carlos Shockness, sobrinho do ex-ferroviário, Paulo tinha orgulho em dizer que fez parte do desenvolvimento da estrada de ferro, bem como da fundação de Porto Velho.

“O tio Paulo não tinha preguiça, pois falava com orgulho do trabalho feito na estrada de ferro e de como viu Porto Velho nascer. Ele trabalhava na estrada com um pouco de tudo”, contou.

Emocionado, Carlos lembra com carinho do jeito simples e sereno de Paulo. Descendente de ingleses, ele fazia questão de falar em inglês dentro de casa para que os mais novos continuassem carregando o legado deixado pelas gerações passadas.

“Ele era o conciliador de tudo. Nunca gostou de levantar voz para ninguém. O tio sempre andava com balinhas pra entregar para nós. Ele era carinhoso conosco. Vai fazer muita falta”, disse.

O presidente da Associação dos Ferroviários da EFMM, José Bispo, era amigo pessoal de Paulo. Segundo ele, o ex-ferroviário era um trabalhador exemplar, sempre reconhecido pela boa conduta e, principalmente, pelo amor aos trilhos que percorrem pela história do estado.

 José Bispo, amigo pessoal de Paulo Shockness (Foto: Reprodução/ Rede Amazônica)

José Bispo, amigo pessoal de Paulo Shockness (Foto: Reprodução/ Rede Amazônica)

“O meu coração quase parou quando fiquei sabendo da morte dele. Com os colegas ele era muito alegre, um exemplo para todos os trabalhadores da estrada”, disse José.

Nas redes sociais, o ex-ferroviário recebeu várias homenagens. Uma sobrinha de Paulo postou uma frase de pesar pela morte do tio.

“Tio Paulo Shockness combateu o bom combate e guardou a fé! Tenho certeza que nesse momento Deus lhe deu vestes novas, um corpo glorificado e enxugou dos seus olhos toda a lágrima”, compartilhou na postagem.

Família Shockness

Família ajudou na construção da EFMM (Foto: Reprodução/ Rede Amazônica) Família ajudou na construção da EFMM (Foto: Reprodução/ Rede Amazônica)

Família ajudou na construção da EFMM (Foto: Reprodução/ Rede Amazônica)

A história da família Shockness se confunde com história de Porto Velho. Segundo o historiador Marco Teixeira, os primeiros imigrantes da família vieram do Caribe para Porto Velho, mais especificamente da região conhecida como ‘Ilha de Barbados’.

Além ajudarem a dar vida à estrada de ferro, viram de perto a fundação e o desenvolvimento de Porto Velho.

“Eles fazem parte da mão-de-obra mais mais qualificada que trabalhou na ferrovia. Toda a primeira geração da família ajudou na estrada de ferro, isso até a década de 1970. São todos respeitados e muito conhecidos”, explicou o historiador.

Compõem, hoje, uma das 16 famílias remanescentes que permaneceram em Rondônia. Toda a primeira geração dos Shockness trabalhou na Estrada de Ferro, tanto homens quanto mulheres. Paulo fazia parte da terceira geração da família, que, atualmente, já chegou à quinta, com quase um século de diferença.

“O grande legado deles é o trabalho ferroviário. Essa é a marca, que passou de pai para filho. São também fundadores das igrejas evangélicas de Porto Velho, principalmente as Batistas. Viram a cidade nascer e se desenvolver”, completou Marco Teixeira.

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