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O silêncio precede a noite – Por Ricardo Oliveira


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O silêncio precede a noite, em dias em que nego sonhar com o jeito de camponesa, pelo qual me cercas com o sorriso inexplicável. O vazio de todas as flores é a razão de meu coração não desejar mais caminhar. A caminhada de tantos amanheceres, jamais voltou acontecer, mesmo o sol aparecendo todos os dias, e o sentido de viver tendo a esperança como fonte de luminosidade, faz de mim um poeta simplesmente solitário, pois colhe nos campos apenas rosas sem condições nenhuma de sobreviver.

Sobreviver ao tempo, seria a alegria de poder renascer diante de teus olhos. Olhos estes, no qual, lubrifica as noites sem sono e a angustia de pensar somente nas memórias existentes em uma imagem fotográfica. Quem és, poderia me dizer? Sem titubear, transcendo sempre à custa de uma mera lembrança. A voz ecoa sem parar em meu ser, como também, sinto de certa maneira, minha alma ser desabrigada de seu próprio lar. Lá em janeiro! Será a espera de um novo momento e só isso bastará?

A impressão é que o espelho não reflete mais o meu rosto nas águas. E as águas são ora calmas, ora agitadas em decorrência de eu estar transpassado por uma espada. Quem sabe um lança da antiguidade, cujos soldados romanos ferem sem ter piedade, quando somos julgados culpados e logo em seguida crucificados em algum monte da história.  A história se encontra banhada de escuridão, às vezes, nem mostra a constelações que nos possa orientar rumo ao deserto certo.

Deserto que causa alucinações, entretanto, necessário para ser resgatado com um brilho de espiritualidade, ainda que seja por um instante. Dou-me conta das coisas deixadas por fazer. E meu quarto é a única paz a desejar meu mundo. Assim, a música toca a afim de que meu corpo obtenha a coerência de seus músculos, e dentro de mim, eu tenha razões suficientes a escrever, palavras dos quais me levam a dançar e sapatear na lua dos meus versos. A camponesa surge na hora incerta.

Incerteza não é a verdade de que procuro. E se procuro algo, caros leitores não devem estar no romance de Romeu e Julieta, muito menos no Romanceio de Cecília Meireles, mas na ternura de uma flor branca em meio ao caos de um palácio de cristal ou safira. Este palácio tem em seu interior, cheiro inebriante do vinho feito nos barris de uísque. É bom ter o imaginário como ponte para a inspiração adentrar, contudo, somente a realidade permite tornar a navegação palpável.

          

www.jornalcontemplatio.blogspot.com.br

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