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No Acre, 90% da população não tem coleta de esgoto e menos da metade tem acesso à água potável


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Apesar das recomendações de higiene feitas pelos órgãos de saúde desde o início da pandemia, um relatório divulgado nesta terça-feira (27) pelo Instituto Trata Brasil aponta que mais de mais de 458 mil acreanos não têm acesso à água potável e mais de 790 mil à coleta de esgoto.

Isso significa que 90% da população do Acre não tem coleta de esgoto e que menos da metade possui acesso à água tratada. No caso da capital acreana, dos 407.319 moradores, somente 88,1 mil têm coleta dos esgotos e pouco mais de 221 mil à água potável. Ou seja, 78,3% dos moradores de Rio Branco não têm acesso ao básico.

Em março, o Instituto Trata Brasil já havia apontado que a capital acreana estava entre as dez piores cidades com relação ao serviço de água e esgoto.

G1 entrou em contato com o Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa) para saber o que tem sido feito para melhorar esses índices e aguarda retorno até última atualização desta reportagem.

Entre 2005 e 2019, a população com acesso à rede de água no Acre registrou leve aumento de 33,2% para 48%. No caso do esgotamento sanitário, os avanços foram praticamente insignificantes, saindo de 8,8% da população com coleta dos esgotos em 2005 para 10% em 2019.

Além do baixo acesso aos serviços de saneamento básico, o Acre é um dos estados que mais perde água potável nos sistemas de distribuição devido aos vazamentos, furtos e erros de leitura dos hidrômetros. Conforme o Instituto, o estado tem indicador apontando 60% de perdas, muito acima da média do Brasil, que é de 39%.

O estudo também levantou de forma inédita o perfil da população sem acesso aos serviços básicos de saneamento no estado. Os dados indicam que, em 2019, a privação de saneamento estava fortemente concentrada na população jovem, autodeclarada parda e mais pobre do estado.

Benefícios com universalização

Como parte das análises regionais, o estudo analisou os ganhos que a universalização do saneamento pode trazer ao Acre e suas maiores cidades. No período de 2005 a 2019, os investimentos em saneamento no estado alcançaram o valor médio anual de R$ 34 milhões.

Mesmo os avanços em saneamento básico no Acre tendo sido pequenos entre 2005 e 2019, o estudo mostrou que eles geraram benefícios econômicos de cerca de R$ 1,2 bilhão ao estado.

Desse valor, R$ 636 milhões foram de benefícios diretos (renda gerada pelo investimento e pelas atividades de saneamento e impostos sobre consumo e produção recolhidos) e R$ 655 milhões devido à redução de perdas. Com isso, os benefícios excederam os custos em R$ 784 milhões, indicando balanço social positivo para as 22 cidades acreanas.

O instituto prevê ainda os benefícios financeiros que o estado deve ter nos próximos anos se cumprir com as metas do novo Marco Legal do Saneamento, em que os estados e municípios têm obrigação de fornecer água potável para 99% da população e coleta e tratamento dos esgotos para 90% até 2033.

Conforme os dados, entre 2021 e 2040, os ganhos com a universalização dos serviços de água e esgotos poderiam chegar a R$ 3,5 bilhões e a R$ 5,5 bilhões até 2055. Esses ganhos vão desde a geração de empregos devido aos investimentos, assim como também com a redução de doenças, melhoria na educação, valorização imobiliária e ganhos ambientais.

Somente com a área da saúde pública, a previsão é de uma economia de R$ 156 milhões, entre 2021 e 2055, graças ao avanço do saneamento. Uma vez que, segundo o instituto, teria redução nas despesas com internações por infecções gastrointestinais e respiratórias na rede hospitalar do SUS.

Primeiro estado estudado

Ao G1, o pesquisador do instituto, Fernando Garcia chamou atenção para o momento que o Acre passa e para os benefícios sociais que podem ser gerados com os devidos investimentos na universalização do saneamento. Segundo ele, o estado foi escolhido este ano para ser o primeiro a passar pelos estudos do instituto por ser um dos que apresenta maiores problemas relacionados aos serviços de saneamento.

“O Acre tem uma taxa de cobertura dos serviços muito baixa em relação à média nacional, que não é boa se comparada à média de outros países. Então, o estudo visa justamente saber esse balanço, quanto custa para universalizar o saneamento e o que se ganha com esses investimentos. Nossa metodologia avalia o passado, para medir o esforço que foi feito e, de fato, houve um progresso, principalmente na questão de água no estado, mas ainda há mais da metade da população que está sem acesso a água, inclusive na capital. Depois, analisamos os benefícios, que vêm de várias formas”, explicou.

Conforme o pesquisador, por conta da situação atual, o Acre está entre os estados que mais ganhariam no país com acesso de todos à água potável e esgotamento.

“Se avançar nessas próximas duas décadas, atendendo as metas do novo marco regulatório, o retorno social desse investimento é muito grande. Vai reduzir problemas de saúde do Acre, vai se economizar recursos que são gastos com a Saúde, aumentar a renda dos trabalhadores, gerar oportunidades de emprego, valorizar os imóveis, valorizar o turismo e todas as atividades que estão ligadas ao meio ambiente. Além de baratear a coleta de água para tratamento”, acrescentou.

G1.globo.com