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Agronegócios

Mulheres empreendedoras rurais da Amazônia participam de oficina de comunicação

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Um grupo de mulheres empreendedoras rurais do município de Ouro Preto do Oeste, em Rondônia, participou de três capacitações virtuais conduzidas pela equipe da Embrapa Rondônia, com foco em comunicação para redes sociais e práticas de educomunicação. As oficinas abordaram, em teoria e prática, a produção de conteúdos – textos, fotos e vídeos – para plataformas digitais e outros meios. Também foi utilizada a metodologia da educomunicação com foco na sensibilização para questões ambientais e o processo coletivo de produção de videoclipes, vinculados aos produtos amazônicos que utilizam.

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De acordo com a coordenadora da ação e jornalista da Embrapa Rondônia, Renata Silva, a comunicação e seus meios de divulgação são relevantes para o desenvolvimento dos trabalhos realizados por estas mulheres. “Quando bem utilizada, a comunicação e as redes sociais cumprem importante papel para a transformação social, conferem visibilidade, reconhecimento, inclusão social, conexão e protagonismo da atuação destas mulheres na região Amazônica. É uma oportunidade delas contarem a própria história e a do projeto”, destaca Renata Silva. Para a pesquisadora da Embrapa Rondônia e também instrutora de uma das oficinas, Vânia Beatriz Oliveira, a metodologia de educomunicação pode ajudar no processo de valorização dos produtos da biodiversidade amazônica e na visibilidade destas mulheres.

Cosméticos da Floresta

Este grupo de mulheres deu início, em 2015, a um projeto que alia preservação ambiental, empoderamento feminino e desenvolvimento socioeconômico local. Com a denominação de Saboaria Rondônia, elas passaram a utilizar a riqueza da biodiversidade amazônica nas essências dos produtos de higiene pessoal e voltados para os cuidados com a pele. Elas já atuam nas redes sociais e são responsáveis por produzir e postar todo o conteúdo. “Esse aprendizado foi imprescindível pra nós, vai dar um impulso muito grande no nosso trabalho. Somos leigas no assunto e precisamos mostrar o nosso trabalho e fazer conexões com o Brasil e o mundo”, conta Mareilde Freire de Almeida, uma das fundadoras do empreendimento familiar.

Para Jaqueline Freire, responsável pela comercialização dos produtos, as redes sociais são um novo mundo para elas e que precisa ser apropriado. “Pra gente, que é aqui da roça e não está acostumado com essas mídias, foi possível tirar muitas dúvidas. Aprendi que temos que ter todo cuidado com nossas publicações, é nossa imagem. Veio num momento muito importante para o nosso projeto, em que estamos tendo muitas demandas quanto a isso, as pessoas estão cobrando e agora temos como atender, já que nós mesmas é que vamos administrar as redes sociais”, comenta Jaqueline.

Por terem muitas funções gratuitas e acessíveis, as redes sociais e as ferramentas digitais são meios prioritários para elas no contato com clientes, parceiros, atuação em rede e para levar a mensagem do projeto ao mundo. Em tempos de pandemia, o uso da internet e das redes sociais têm sido primordial para elas e para muitos que precisam se conectar para o trabalho e o fortalecimento das relações. “Vamos remodelar nossa atuação e buscar produzir e compartilhar conteúdos que demonstrem o trabalho que temos feito aqui, com todo o valor que agregamos”, afirma Mareilde. “Muito bom esse mergulho nas redes sociais”, aponta Maria Jacone, integrante do empreendimento. “O aprendizado vai ajudar muito na melhoria do nosso trabalho e enriquecer a produção de vídeos, fotos e publicações nas redes sociais”, Rosely Freire, que é responsável pela parte financeira e de produção do empreendimento.

Registro de uma das oficinas virtuais realizadas com foco na produção de conteúdos para as redes sociais.

O empreendimento: da Amazônia para o mundo

Nasceu do sonho e persistência de uma mulher, sua filha e irmãs no interior de Rondônia, no município de Ouro Preto Do Oeste. O que em 2015 era apenas uma ideia, ao longo dos anos se transformou em um projeto de base comunitária e que alia preservação ambiental, empoderamento da mulher do campo e desenvolvimento socioeconômico local.

As palmeiras de babaçu e buriti nativas da região foram eleitas como as grandes estrelas do empreendimento. Além da coleta, por meio produtores parceiros locais, elas fazem o processamento das matérias primas. A extração manual dos óleos é utilizada para a fabricação artesanal dos sabonetes glicerinados e xampus em barra. “São mãos de mulheres rurais transformando elementos da biodiversidade amazônica e produtos de produção regional, como o café Robusta Amazônico, na concretização de sonhos”, diz Mareilde Freire. O trabalho também inclui a revitalização de cursos d’água na região de Ouro Preto do Oeste.

Elas atuam com essências como o óleo de buriti, babaçu, copaíba, andiroba, pracaxi, castanha, manteigas vegetais de murumuru, cupuaçu, cacau e outros ativos como açafrão e gengibre. Têm produtos como sabonetes, xampu, hidratantes, esfoliantes corporais e muitos outros. O uso de essências naturais da biodiversidade amazônica aliado ao propósito de preservação tem ampliado o mercado para os produtos destas mulheres. O canal de vendas para outros países está, aos poucos, se consolidando. Elas já enviaram produtos, em pequena quantidade, para os Estados Unidos, Portugal, Coréia do Sul, França e, em 2020, poucos dias antes da crise pandêmica do COVID-19, realizaram a venda de maior volume de produtos para a Suíça.

Atuação em parceria

Estas mulheres são parceiras da Embrapa Rondônia em pesquisas voltadas para desenvolvimento e aprimoramento de produtos a base de cafés especiais, assim como em ações voltadas para a visibilidade, inclusão, capacitação e geração de conhecimento para mulheres, em atendimento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS – da Organização das Nações Unidades – ONU. Neste aspecto, relaciona-se diretamente ao objetivo 5, referente à igualdade de gênero e permeia outras objetivos que se relacionam à preservação do meio ambiente, trabalho digno e crescimento econômico, assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água, redução de desigualdades e produção e consumo sustentáveis.

As oficinas foram realizadas também por meio do Projeto Integrado da Amazônia (PIAmz), financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito do Fundo Amazônia e administrado pela Fundação Eliseu Alves (FEA).

Priscila Viudes (MTB 030/MS)
Embrapa Acre