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Mulheres de Mato Grosso preparam protesto para denunciar feminicídios e lembrar Marielle

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O Dia Internacional das Mulheres, comemorado em 8 de março, já tem programação, em Cuiabá, aberta ao público, organizada por um grupo de mulheres militantes e com reivindicações sociais. A frente  Mulheres na Luta  convoca as trabalhadoras para um dia de paralisação e, para as 15h, ato político, na praça Alencastro, com plenária, intervenções artísticas e manifestações políticas.

O evento também vai homenagear a  vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (Psol), assassinada em 14 de março de 2018.  O crime ainda está sem solução às vésperas de completar 1 ano.

A iniciativa da frente, que congrega mulheres de coletivos feministas, representantes de sindicatos e de partidos políticos e interessadas independentes, atende ao chamado da Greve Internacional de Mulheres.  Em Cuiabá, o movimento  busca combater as violências contra as mulheres  desde psicológica até o feminicídio e  garantir direitos  trabalhistas, previdenciários, e reprodutivos.

As organizadoras também denunciam o risco que ações recentes do governo federal geram à vida das mulheres. A facilitação da posse de armas – em um país que a casa é o ambiente mais perigoso para o gênero feminino, já que em 61% dos casos, o agressor é conhecido da vítima, geralmente companheiros e ex-companheiros – aumenta as chances do assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres.   o que difere o feminicídio de um homicídio qualquer.

“Outra ameaça soma-se a da posse de armas: a brecha criada pelo pacote de leis de Sérgio Moro. Ao mudar a lei que se refere à legítima defesa, o pacote traz uma brecha para proteção de homens que assassinam mulheres, pois atenua penas para assassinos que alegarem ‘violenta emoção’”, destaca trecho de manifesto escrito pela Frente Mulheres na Luta.

Segundo  Patrícia Acs, do Coletivo Mulheres Resistem e uma das organizadoras do ato, o movimento Greve de Mulheres tem caráter internacional e é realizado em Cuiabá há três anos.  A estimativa da organização é reunir entre 500 e mil participantes no próximo dia 8.

“Aqui em Mato Grosso, estamos enfatizando a luta contra o feminícidio. Nosso Estado está entre os com maior número de casos e precisamos enfrentar essa realidade”, disse Patrícia Acs ao .

O mês de janeiro de 2019 teve registro de oito homicídios envolvendo vítimas femininas de 18 a 59 anos de idade em Mato Grosso. Segundo dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEAC) da Secretaria Estadual  de Segurança Pública (Sesp), os casos ocorreram no interior do Estado.

No mesmo período de 2018, foram registrados seis casos de homicídios de vítimas femininas na mesma faixa etária. Os casos de janeiro de 2019 ocorreram nos municípios de Água Boa, Cáceres, Castanheira, Comodoro, Juara, Nobres, Primavera do Leste e Tangará da Serra. A fonte utilizada pela CEAC da Sesp são os boletins de ocorrências policiais da Polícia Militar e Polícia Civil.

Reivindicações

As mulheres também requerem a revogação da Emenda Constitucional  95 de 2016, conhecida como Teto de Gastos, pois, em uma sociedade em que as mulheres estão mais abaixo na pirâmide social, o congelamento de investimentos em saúde, educação, assistência social e segurança pública prejudicam principalmente a elas. Nessa mesma linha, as manifestantes se opõem a proposta de precarização da previdência, já que são as mulheres que ainda mantêm jornada dupla ou tripla, sentindo mais cedo o peso de anos de trabalho.

O ato político ainda visa defender as pautas de todas as mulheres, especialmente as trabalhadoras, as periféricas, as negras, as mulheres do campo, as lésbicas, as bissexuais e as mulheres trans, as indígenas, as quilombolas, as refugiadas e as migrantes.

Entre 15h e 19h do Dia das Mulheres, haverá uma plenária.  Na oportunidade,  as mulheres poderão expor  suas lutas e realidades. Também haverá  apresentações de artistas voluntárias de Cuiabá e região; e microfone aberto para manifestações políticas. (Com Assessoria)