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Mulher quilombola se forma mestra pela Universidade do Estado do Pará

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Shirley Amador agora é Mestra em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Pará (UEPA). Ela é a primeira mulher quilombola que a instituição gradua no Programa de Pós-graduação em Educação. A aprovação veio neste segundo semestre de 2020, com uma banca virtual devido às medidas de distanciamento impostas pela pandemia da Covid-19. Assista aqui a defesa completa da dissertação.

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“Penso que essa não é uma conquista individual, mas sim coletiva, pois no decorrer do caminho nós vamos formando uma rede que nos faz prosseguir rumo aos nossos objetivos. Então essa foi uma maneira de me posicionar enquanto sujeito ético, político, de transcender também o lugar que sempre fora destinada aos negros”, comemora.

A educadora, da comunidade Vila União/Campina, em Salvaterra, acredita na educação como instrumento de luta e desenvolve um projeto de cursinho preparatório para vestibulandos quilombolas locais.

“Educar as novas gerações nestas bases significa buscar a dignidade, o exercício do pertencimento étnico que respalda a diversidade da memória histórica, social, e a luta pela conquista de direitos diante da situação de negação e de enfoques para aplicação de novas políticas, identidade social e cultural para os povos e comunidades tradicionais. Precisamos ocupar os espaços para sermos ouvidos, para termos os nossos direitos reconhecidos”, avalia.

Foi no último mês de setembro que Shirley Amador se tornou a primeira mestra quilombola da Uepa. A aprovação foi motivo de orgulho para o orientador, professor doutor João Colares.

“Fico feliz por ela ser titulada pelo PPGED da Uepa. Isso demonstra que o Programa está avançando do ponto de vista das discussões sobre Educação Quilombola, Educação Indígena, ou seja, educação daquelas pessoas que historicamente foram e são subalternizadas pelos processos sociais injustos e pelas desigualdades educacionais. Então é um sentimento de alegria e é um sentimento também de uma luta”, resume o professor.

G1