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Mato Grosso

MPF apura impacto de agrotóxicos após índios se queixarem de coceira e da presença do produto em comida e água em MT


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O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar o impacto do uso de agrotóxicos em terras indígenas na região de Brasnorte, a 580 km de Cuiabá.

O inquérito foi aberto depois que índios Rikbaktsa se queixaram de coceira e da presença do produto em alimentos e na água que eles consomem. Os Rikbaktsa vivem nas margens do Rio Juruena.

O uso será apurado nos municípios de Aripuanã, Brasnorte, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juara, Juína, Juruena, Novo Horizonte do Norte, Porto dos Gaúchos, Rondolândia e Tabaporã.

O objetivo da investigação é identificar o impacto sinérgico do uso de agrotóxicos nas comunidades indígenas e bens ambientais no período de janeiro a outubro de 2019 na região.

A decisão foi tomada com base em reportagens que tratam do uso intensivo de pesticidas no estado e que estariam sendo levados pelo vento, atravessando fronteiras.

Os indígenas Rikbaktsa contaram que estão sentindo coceira na pele, cheiro e gosto de agrotóxicos nos alimentos e na água.

Mulheres que vivem em aldeias indígenas, sítios e assentamentos, e que produzem alimentos a partir da agricultura familiar foram à Brasília em agosto deste ano justamente para manifestar sua indignação com a monocultura e o uso intensivo de agrotóxico no estado.

Elas afirmaram que estão sendo expostas à contaminação pelos pesticidas, por meio do processo de pulverização aérea das grandes lavouras, o que faz com que o veneno acabe se espalhando pelo ar.

O MPF comunicou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) para, em 15 dias úteis, informar se há alguma análise sobre o impacto ambiental do uso de agrotóxicos na região noroeste de Mato Grosso.

O órgão deverá dizer se há alguma investigação ou análise de danos ambientais decorrentes de agrotóxicos em terras indígenas ou demais bens ambientais.