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Mesmo com redução de 11,5%, Acre é o 3º estado do Norte que paga mais caro em passagens


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Dificilmente encontra-se um acreano que não reclame dos altos valores pagos em passagens áreas no estado. Para se ter uma ideia, uma passagem entre Rio Branco, capital do estado, até Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do Acre, pode chegar a R$ 825,79, em uma rápida consulta em um site de companhia aérea.

O preço, conforme o dia escolhido é variável. A consulta do G1 pegou como base a saída na sexta-feira (29).

Quando o trecho é para fora do estado, então, os valores são ainda mais salgados. Se a pessoa for sair de Rio Branco para São Paulo no mesmo dia, há passagens que variam de R$ 1482,79 até R$ 2255,04. Isso inclui a passagem apenas de ida.

Em um ano, o Acre, segundo apontou dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), foi o estado do país com a maior redução no preço das tarifas áreas domésticas. Entre 2017 e 2018, períodos avaliados, essa média saiu de R$ 597,30 para R$ 528,30, uma redução de 11,5%.

Já em todo o Brasil, a tarifa aérea média doméstica real (atualizada pela inflação) subiu 1% em 2018 na comparação com o ano anterior, atingindo o valor de R$ 374,12. No último trimestre do ano, a elevação da tarifa aérea média foi de 2,1% em relação ao mesmo período de 2017.

Mesmo com a redução no preço médio da tarifa, o Acre ainda aparece em terceiro no ranking de passagens mais caras da região Norte, ficando atrás de Roraima (R$ 646,70) e Rondônia (R$ 556,55).

Planejamento

Com preços das passagens tão altos, planejamento é o aliado daqueles que pretendem viajar. O jornalista Tiago Teles, por exemplo, conta que sempre compra milhas e se prepara, muitas vezes, um ano antes. Ele costuma se planejar para ir a festivais de música em São Paulo (SP).

“Sempre viajo usando milhas, então, assino um programa de milhagem que me dá uma quantidade de milhas mensal e sempre que tem promoção, na compra de milhas ou transferência de cartão de crédito, compro mais. E, mesmo assim, já aconteceu de eu ter que comprar milhas a mais e também usar dinheiro”, conta.

Segundo ele, há quatro anos, conseguiu comprar o trecho Rio Branco/São Paulo por 10 mil a 15 mil milhas, hoje, o mesmo trecho chega a custar de 29 mil a 30 mil milhas. “Só para ver como tem aumentado cada vez mais. Tem que ter um planejamento, por isso, mesmo que eu não vá viajar, compro sempre as milhas. É quase um ano de preparação antes da viagem”, diz.

Mas, nem sempre uma viagem pode ser planejada com antecipação. Foi o caso da também jornalista Hellen Monteiro. Casada com um colombiano, os dois decidiram sair do país. Como a decisão foi rápida e eles tinham um curto prazo para se organizar, o valor da passagem foi alto.

Antes de decidir sair de vez do país, Hellen foi a passeio. A passagem de ida e volta saiu por menos de R$ 3 mil. Já dessa vez, ela e o marido desembolsaram mais de R$ 6 mil pelas passagens apenas de ida.

“A gente não teve muito tempo de planejamento e nem de esperar preços melhores. O que nos restou foi comprar parcelado em 10 vezes por um valor bem alto. Mas, era a necessidade nesse momento. Cada vez sair daqui [do Acre] é mais caro. Ou você decide, vende tudo e vai, ou não vai embora nunca”, destaca.

Parcelamentos

Para atrair clientes e se manter no mercado, algumas agências apostam em vendas de pacotes e até ingressos de shows, que já incluem como serviço do plano. Klaus Machado é dono de uma agência de viagens em Rio Branco há cinco anos. Ele conta que o que diferencia a compra das passagens áreas em agência e em companhias é o serviço diferenciado.

“O agente faz roteiro e indica qual os melhores serviços na cidade de destino. No site da companhia você pode até achar uma passagem mais barata, às vezes, não sempre, mas na agência você pode, inclusive, pagar esse valor no boleto em 10 vezes”, explica.

E o pagamento pelo boleto, segundo Machado, tem atraído muito a classe C. “Muita gente que não conseguia pagar uma passagem no cartão ou à vista, agora parcela em até 10 vezes e consegue fazer essa viagem em família”, pontua.

Porém, ele destaca também que a falta de companhias áreas atuando no estado dificulta a atuação no mercado de trabalho.

“Enfrentamos várias dificuldades por falta de companhias áreas. Estamos na mão de duas empresas apenas e têm dias que o trecho entre Rio Branco e Porto Velho (RO) está mais de R$ 1 mil. Então, a gente se depara com algumas dificuldades que deviam chamar a atenção das autoridades”, finaliza.

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