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Mães testemunharam tortura dos filhos e ajudaram Corregedoria a identificar PMs


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As mães de dois jovens vítimas de uma sessão de tortura feita por policiais militares do Batalhão de Choque em outubro, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, testemunharam as agressões sofridas pelos filhos. Foi delas a iniciativa de procurar a Corregedoria da PM para denunciar o caso. Uma das mulheres teve papel crucial na identificação dos policiais: após ser impedida de entrar no apartamento onde o filho era torturado, ela anotou o número das duas viaturas usadas pelos agentes e entregou aos investigadores.

Em posse da informação, a Corregedoria conseguiu identificar oito policiais — sete cabos e um soldado — que participaram da sessão de tortura. Em seus depoimentos, obtidos com exclusividade pelo EXTRA, as mulheres — uma merendeira de 45 anos e uma cabeleireira de 41 — contam que tentaram entrar no apartamento onde os filhos estavam sendo agredidos, mas foram impedidas pelos policiais, que ameaçaram jogar gás de pimenta em seus rostos.

Uma delas, a merendeira, contou que estava com os jovens no momento da abordagem, na área externa do condomínio onde todos moram, próximo à favela Vila Santa Tereza. Quando entrou em casa para pegar a identidade do filho, os rapazes foram conduzidos para o interior do apartamento de um deles pelos PMs. Segundo a mulher, a porta foi trancada pelos agentes. Ela “retrucou que eram todos trabalhadores e não aceitava tal tratamento”, mas foi ignorada pelos policiais.

Em seguida, a mulher acordou, aos gritos, a amiga cabeleireira, que mora no mesmo prédio e já estava dormindo. A cabeleireira teve a ideia de anotar os números das viaturas quando os agentes a proibiram de entrar no apartamento.

Ao todo, quatro jovens — todos barbeiros, com idades de 18 a 30 anos, que trabalhavam num mesmo salão — afirmaram à Corregedoria da PM terem sido vítimas de tortura pelos PMs. Segundo seus depoimentos, as agressões incluíram, além de tapas no rosto, chutes e choques elétricos, queimaduras no pênis de um dos rapazes com uma prancha para fazer chapinha no cabelo e a introdução de um cabo de vassoura no ânus das vítimas.

PMs acharam foto com arma de paintball

Em seus depoimentos, as vítimas esclarecem como as agressões começaram. No celular do dono do apartamento, os PMs encontraram uma foto de dois dos jovens posando com armas de paintball. A imagem havia sido feita num dos maiores shoppings da Baixada. Um dos agentes perguntou para o dono da casa onde estavam as drogas. Ele disse que não havia nada no local. Nesse momento, a sessão de tortura começou. As agressões seguiram das 5h às 9h.

Dos oito policiais que estavam nas viaturas cujos números foram anotados pela cabeleireira, dois foram identificados pelas vítimas. Os demais usavam toucas ninjas. A Corregedoria, no entanto, suspeita que mais policiais participaram da sessão de tortura, já que as vítimas relatam que havia mais viaturas no local.

Exames realizados pelo Núcleo de Perícia da Corregedoria comprovaram as lesões e corroboraram os depoimentos das vítimas. O órgão correicional da PM enviou a investigação ao Ministério Público, pedindo a prisão dos oito agentes. Até a sexta-feira, entretanto, todos permaneciam soltos.

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