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Justiça

Mãe diz que assassino do filho é “cruel” e se revolta com sentença


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A professora Nádia Batista de Almeida Peroso, mãe do estudante de Direito Pedro Victor de Almeida Peroso, morto a golpes de facas pelo melhor amigo em outubro de 2018, disse que está revoltada com a pena determinada ao assassino.

Vanderson Daniel Martins dos Santos, de 21 anos, foi condenado a 16 anos de prisão pelo crime de homicídio duplamente qualificado. O júri popular ocorreu na última sexta-feira (29), no Fórum de Várzea Grande.

Para Nádia, Vanderson deveria ser condenado à pena máxima de homícidio, que é de 20 anos, tendo em vista a crueldade do assassinato.

Vanderson alegou que cometeu o crime porque devia R$ 1,5 mil à vítima, referente à venda de um aparelho de som de carro. Ele afirmou que, como não tinha condições de pagar, preferiu matar o amigo. Vanderson já estava preso desde novembro de 2018 na Penitenciária Central do Estado (PCE), onde continuará detido.

“Todos do júri popular votaram para que ele [Vanderson] pegasse pena máxima, mas como o nosso Brasil não tem lei, a pena dele foi reduzida para 16 anos porque ele é réu primário e tem residência fixa.  Agora, se você me perguntar se eu estou feliz, eu digo que não estou. A pena dele foi muito pouco”, disse.

Divulgação

pedro

Pedro Victor de Almeida (detalhe) que foi assassinado no dia 19 de outubro do ano passado

“Eu acho que não deveria ter levado em conta que ele réu primário, que tem ele residência fixa. Na minha opinião, assassino sempre vai ser assassino. Ele é cruel. Se ele fez isso com o melhor amigo, imagina o que pode fazer com outras pessoas?”, acrescentou.

Para Nádia, o mais revoltante é que, com a pena reduzida, logo o assassino deve ganhar progressão de pena para o regime semiaberto.

“Estou revoltada cada dia mais com a Justiça do nosso País. Para mim, esse País não tem Justiça. É muito fácil: a pessoa mata e fica impune. Com 16 anos, daqui a pouco já vai para o regime semiaberto, porque ele já está preso há um ano e seis meses”, disse.

Para Nádia, o único conforto vem da certeza de que Vanderson “não fugirá da justiça divina”.

“Agora eu vou pedir só a Justiça de Deus, porque tenho certeza que, nessa, ele vai pagar muito caro. Porque tudo que se faz, se paga. E pelo que fez com meu filho, ele merece pagar caro”, afirmou.

Melhores amigos

Conforme Nádia, Vanderson era o melhor amigo de Pedro e estava praticamente todos os dias dentro de sua casa.

“Eu o conhecia muito, era uma pessoa de dentro da minha casa. Ele matou meu filho numa sexta-feira e no dia anterior almoçou lá em casa. Ele não saía da minha casa. O meu filho era o melhor amigo dele. A festa de aniversário dele foi feita em um barracão que é do meu marido. Nós fizemos a festa para ele lá. Nós patrocinamos, demos o lugar. Compramos as coisas para fazer a festa do assassino do meu filho. Já pensou nisso?”, declarou, bastante emocionada.

A professora disse que, quando soube que o homicídio do filho tinha sido cometido por Vanderson, ficou em choque. Ela revelou que não o viu como suspeito em nenhum momento.

Eu acho que não deveria ter levado em conta que ele réu primário, que tem ele residência fixa. Na minha opinião, assassino sempre vai ser assassino.

“Ele foi ao velório do meu filho, mas não quis entrar, falou que estava passando mal. Meu esposo conversou com ele, mas sem saber que ele era o assassino do nosso filho. Nós não suspeitávamos dele, porque o Pedro não tinha inimigos. Pensávamos até que teria sido cometido por um passageiro, mas ele não fazia mais corridas, e no dia do crime ele tava com umas amigas no shopping”, afirmou.

O crime

O corpo de Pedro foi encontrado caído ao lado do seu carro, um veículo Ford Ka branco, em uma rua de chão do Bairro Princesinha do Sol. 

Pedro trabalhava na função de motorista de aplicativo, mas o cadastro da plataforma estava no nome do primo dele.

A suspeita inicial era de que o rapaz tivesse sido morto por um passageiro, mas a inventigação apontou que o crime não teve relação com o trabalho da vítima. 

Moradores chamaram a polícia depois que encontraram Pedro caído no chão.

O automóvel tinha marcas de sangue no banco e nas portas. Além disso, o para-brisa do carro estava quebrado. Uma pedra, que teria sido usada para danificar o para-brisa, foi deixada na frente do automóvel.

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada e constatou que Pedro foi morto por dois golpes, supostamente de faca, na região do abdômen.

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