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Mato Grosso

Mãe descobriu grupo que ameaçava atentado em unidade escolar; adolescentes serão ouvidos hoje


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A mãe de um aluno que havia sido inserido no grupo do aplicativo Telegram, intitulado “Massacre no União e Força”, foi responsável por descobrir a ameaça de um aluno de 14 anos, e não 17, como divulgado anteriormente. Depois disso, ela notificou a direção da Escola União e Força, em Cáceres (a 234 quilômetros de Cuiabá), que encaminhou o caso ao Ministério Público Estadual (MPE). Assessora pedagógica, Eliane Andrade Araújo Silva, contou ao Olhar Direto que a situação causou uma grande repercussão no município, e que alguns pais não estariam levando seus filhos para escola, com medo.

Na semana passada a assessora pedagógica foi informada pela promotoria da situação, que deveria ser sigilosa.  Inicialmente, o MPE seria responsável por cuidar da situação, inclusive posteriormente encaminhar os adolescentes envolvidos para tratamento psicológico. No entanto, a situação chegou ao conhecimento da imprensa local e causou alarde. 
 
Depois disso, a diretora de Escola Ana Maria das Graças, no bairro Cohab Nova, também havia escutado rumores de que um grupo de alunos, que teria “gostado” do massacre em Suzano (SP). “A gente não sabe se tem ligação da escola Ana Maria com a escola União e Força, mas hoje às 8h da manhã a promotora se reuniu com esses alunos. Estou só aguardando o relatório, para que eu possa fazer um documento e encaminhar para a Seduc (Secretaria de Educação)”, disse. Ainda não se sabe se a ameça foi apenas uma brincadeira dos alunos. 
 
Segundo Eliane, a situação foi descoberta pela mãe de um aluno, que teria sido inserido no grupo. “O filho dela foi colocado neste grupo do aplicativo. Quando ela olhou o celular do garoto, estavam lá essas menções dizendo que eles iriam utilizar drogas para começar a roubar os lanches e depois proceder com o massacre. Existe realmente esse grupo, onde tem dez alunos cadastrados e fazendo a menção ao massacre”, afirmou.
 
Ao ver as mensagens no celular do filho, a mãe enviou de forma anônima os prints das conversas para a diretora da escola. “A diretora da escola, quando viu a gravidade, entrou em contato coma delegacia”, acrescentou.
 
Com medo, alguns pais acabaram não levando os filhos para as escolas do município e também procuraram a assessoria pedagógica. “A gente não tem como garantir nada para os pais. Uma vez que a gente dê a palavra, eles vão querer cobrar”, ponderou.

Ainda conforme a assessora, o estudante de 14 anos já está tendo acompanhamento psicólogico.  Ela acrescentou ainda que “Essa escola já teve casos de tentativa de suicídios, abusos. O que a promotora está investigando, é se esse menino é vítima de uma dessas situações”, contou. 

Na tarde de hoje haverá uma reunião com os pais e toda a comunidade escolar para conscientizar a todos da situação. Como medida de prevenção, as escolas estão sendo mantidas com os portões fechados e somente a entrada de familiares está sendo autorizada. 

“Eu acredito que isso não é motivo de alarde nenhum. Criança brinca mesmo e já esta sendo averiguada toda essa situação. Já está na mão da promotoria, que está fazendo toda essa parte de investigação”, finaliza. 
 
 O Olhar Direto obteve acesso as conversas do grupo. H.A.A. sugere a possibilidade de realizar um massacre parecido com o que aconteceu na cidade de Suzano, São Paulo, na manhã da última quarta-feira (13). Na conversa, os alunos ainda debocham do massacre, dizendo ter sido feito por amadores.

Reprodução

Suzano

Na manhã da última quarta-feira (13), aconteceu um massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil na cidade de Suzano, no interior de São Paulo, que resultou na morte de 10 pessoas.

A dupla de atiradores, Guilherme Taucci Monteiro (17 anos) e Luiz Henrique de Castro (25 anos), mataram cinco estudantes e duas funcionárias; depois, um dos atiradores matou o comparsa e em seguida cometeu suicídio. Antes do massacre na escola, a dupla também matou o tio de Guilherme.

Nota Seduc 

A Secretaria de Estado de Educação esclareceu que está acompanhando o caso e tratando assunto de forma criteriosa e tentando resolver a situação internamente com a comunidade escolar para evitar que sejam criados caos e pânico em relação ao caso.

Veja a íntegra: 

Em relação ao caso de possível apologia ao crime em uma escola estadual do município de Cáceres, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informa que:

1 – Está acompanhado o caso de perto e, juntamente com a Promotoria de Justiça da Comarca de Cáceres e a Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), está tomando todas as providências para tranquilizar e garantir a segurança de toda a comunidade escolar;

2 – Nesta segunda-feira (18.03), pela manhã, a assessoria pedagógica de Cáceres e a direção da escola se reuniram com a Promotoria de Justiça do município para tratar do assunto. No período da tarde, a assessoria se reunirá com a comunidade para repassar, aos pais e alunos, as orientações recebidas;

3 – A Seduc está tratando do assunto de forma criteriosa e tentando resolver a situação internamente com a comunidade escolar para evitar que sejam criados caos e pânico em relação ao caso.