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Justiça concede prisão domiciliar a gerente presa em operação Crédito Podre

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A gerente financeira Keila Catarina de Paula, presa desde o início deste ano por suposto envolvimento em fraudes na comercialização interestadual de grãos (milho, algodão, feijão, soja, arroz, milho, sorgo, painço, capim, girassol e niger), com sonegação de mais de R$ 140 milhões em ICMS (imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços) teve a prisão domiciliar concedida na última quarta-feira (30).

Com a decisão proferida pelo juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da Sétima Vara Criminal, a gerente da empresa Ápice Administração e Gestão Empresarial Ltda passará a cumprir pena em sua casa com tornozeleira de monitoramento.

A defesa da ré havia entrado com medida cautelar alegando que ela não liderava o esquema fraudulento e que suas filhas, duas adolescentes de 16 e 17 anos estão desamparadas, visto que a mãe e o pai, seu marido, o empresário Wagner Kieling foram presos na operação batizada de ‘Crédito Podre’.

De acordo com o Ministério Público, a gerente tinha a função de cuidar da parte financeira do esquema, em ajuda ao marido, apontado como o líder.

Conforme a Polícia Civil, Keila Catarina teve o mandado de prisão cumprida no dia 2 de fevereiro no Shopping Popular, em Cuiabá, onde tem uma banca.

A Operação

A operação foi deflagrada no dia 7 de dezembro de 2017 pela Polícia Judiciária Civil, por meio da Delegacia Fazendária, em conjunto com a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz). As investigações da Polícia Judiciária Civil levantaram que mais de 1 bilhão de grãos saíram do Estado de Mato Grosso, sem o devido recolhimento do ICMS, deixando prejuízo estimado em R$ 143 milhões, entre os anos de 2012 a 2017.

O montante de dinheiro que o Estado deixou de arrecadar, no esquema que envolveu 30 empresas de fachadas ou fantasmas, constituídas com o objetivo de promover a  sonegação de impostos, poderia ser investidos na aquisição de 753 leitos de UTI;  ou 938 viaturas policiais; ou na construção de 72 escolas; ou ainda em 1.400 casas populares.

“A organização criminosa, mediante a produção de documentos ideologicamente falsos constitui empresas de fachadas, posteriormente, promove a sonegação do ICMS, possibilitando que os integrantes desta robusta organização criminosa ofereçam ao mercado, mercadorias mais baratas, já que não recolhem o tributo incidente sobre a mercadoria”, disse o delegado Sylvio do Vale Ferreira Júnior, que preside o inquérito policial iniciado em fevereiro de 2017.

Notas fraudadas

Em seis anos, a organização criminosa montada para sonegar impostos de transações comerciais da venda de grão no Estado de Mato Grosso, emitiu 2,1 bilhão de notas fiscais frias, que nunca tiveram os tributos recolhidos aos cofres públicos.

Em levantamento, a Secretaria de Fazenda revelou que apenas no período de junho de 2016 a julho de 2017, a organização promoveu a saída interestadual tributada de mais de R$ 1 bilhão, em produtos primários de origem agrícola, utilizando documentação fiscal emitida por empresas de fachadas criadas para sonegar ICMS e demais tributos.

Somente nesse período (jun/16 a Jul/17), a organização, por meio de fraude do Sistema Eletrônico PAC/RUC, e, posteriormente, utilizando de credenciamentos para apuração e recolhimento mensal obtidos via medidas judiciais em caráter de liminar – quando descobertas as empresas eram bloqueadas no sistema, mas conseguiam na Justiça liminares para continuar operando -, gerou prejuízo ao erário superior a R$ 96 milhões, em ICMS não pagos.