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Acre

Jovem que morreu após briga em centro socioeducativo foi furado 25 vezes: ‘negligência’, diz tia

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A família do jovem Railand da Silva Souza, de 18 anos, acusa o Hospital João Câncio e o Centro Socioeducativo Purus, em Sena Madureira, interior do Acre, de negligência. Segundo os parentes, Souza foi morto após ser furado 25 vezes, além de receber chutes e um corte na cabeça.

O reeducando foi um dos feridos durante uma briga dentro da unidade, na manhã desta segunda-feira (18). Para a família, o rapaz tinha que ter sido transferido para um hospital em Rio Branco, mas não foi. Ela afirma que a família foi impedida de ver o jovem.

“Não permitiram que a família tivesse acesso a ele, só diziam que estava bem. Como uma pessoa com mais de 25 perfurações, porrada na cabeça e chute poderia estar bem? Por que deixaram ele lá? Não tinha condições de sobreviver. Precisava de um médico mais avançado, passar por cirurgia porque estava todo estourado por dentro”, criticou.

Ao G1 na última segunda, a direção da unidade falou que houve um desentendimento dos menores durante uma faxina nos alojamentos. Dos quatro envolvidos, três tiveram ferimentos leves e foram levados para o hospital da cidade. A direção frisou que os reeducandos estavam bem. Porém, à tarde, Railand Souza morreu no hospital.

Procurado pela reportagem nesta terça, o diretor do Centro Socieducativo Purus, Astério Vieira disse que aguarda a chegada do diretor do ISE em Sena Madureira para se posicionar sobre o caso.

A direção do hospital afirmou que o rapaz fez um raio-X, uma primeira avaliação e estava estável. Ele ficou em observação por um tempo e dois foi internado.

O diretor da unidade, Michael Kelles, contou que Souza teve uma piora no período da tarde e foi solicitado o encaminhamento para o hospital da capital acreana. Porém, a ambulância estava para Rio Branco com uma mulher grávida.

“Ele foi regulado para Rio Branco, mas antes de entrar na ambulância e sair foi a óbito. Mas, foi feito todo trâmite necessário. Foi acompanhado pelos Direitos Humanos, a família e o pessoal do Iapen. Ontem à noite o corpo foi encaminhado para o IML e foi ter uma resposta melhor depois do laudo”, detalhou.

‘Pediu perdão antes de morrer’

O corpo de Souza foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) em Rio Branco. Nesta terça (19), a auxiliar de limpeza e tia do rapaz, Rizonaria Almeida de Souza conversou com uma equipe da Rede Amazônica Acre.

“Ligaram pedindo para minha prima ir falar com o diretor do centro socioeducativo. Ela foi e o diretor disse que ele estava bem e não tinha risco de morte. Isso foi 7h, quando deu três horas da tarde ele morreu. Quando ficou muito ruim, pediram para tia dele entrar e ele disse que queria aceitar Jesus. Pediu perdão dos pecados e cerca de 20 minutos depois veio a óbito”, lamentou.

 Confusão ocorreu no Centro Socioeducativo Purus, em Sena Madureira (Foto: Alexandre Anselmo/ Arquivo pessoal)

Confusão ocorreu no Centro Socioeducativo Purus, em Sena Madureira (Foto: Alexandre Anselmo/ Arquivo pessoal)

Internos tinham chave da cela, diz tia

Ainda segundo a tia, adolescentes de uma facção conseguiram a chave da cela do jovem e bateram nele. A versão da auxiliar é contrária a da direção da unidade, que garantiu que a confusão foi durante a faxina.

“Conseguiram uma chave, não sei como, mas os detentos de outra facção tinham uma chave. Essa foi a informação que repassaram para gente”, afirma.

O menor estava na unidade por envolvimento na morte de um policial, em Sena Madureira. Segundo a tia, o rapaz tinha problemas mentais, tomava remédios, mas estava preste a ganhar a liberdade.

“Os médicos foram negligentes com ele e com a minha família também. Sem dúvida alguma. Se viram que não tinham condições de tratá-lo lá. Não teve uma chance de vida porque já estava pagando pelo crime dele”, desabafou.