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Haitiano é socorrido após 10 dias em mata e diz que foi obrigado a se jogar de ponte na fronteira do Peru com o Acre


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Um imigrante haitiano, de 36 anos, foi socorrido dez dias depois de cair da Ponte da Integração, que liga a cidade de Iñapari, no Peru, a Assis Brasil, no Acre. O resgate ocorreu no último sábado (24) e ele afirma que foi pressionado a se jogar pela polícia peruana.

Segundo o secretário de Assistência Social de Assis Brasil, Quedinei Correia, o imigrante relatou que chegou à cidade do interior do Acre no último dia 10 de julho com três companheiros para passar para o lado peruano e seguir viagem até o Chile. E, assim como tantos outros imigrantes, os dois tentaram fazer o percurso por rotas alternativas por meio de coiotes, já que a ponte está fechada pelo Peru.

Já na cidade peruana de Iñapari, ele se desencontrou dos companheiros e acabou perdendo o táxi. “Disse que foi várias vezes enganado por outras pessoas, por outros coiotes, e depois foi levado até a polícia peruana, que teria colocado ele em cárcere”, informou o secretário.

G1 entrou em contato com o Consulado Geral do Peru em Rio Branco e aguarda resposta.

Imigrante foi socorrido por equipe do Corpo de Bombeiros nesse sábado (24) — Foto: Reprodução

O imigrante relatou ainda que na noite do dia 14 de julho, os policias o teriam levado até a ponte e após muita pressão, ele pulou e caiu em uma área de mata.

“Na queda, ele ficou muito machucado e até agora está sem os movimentos das pernas, então, por isso teve dificuldade de se locomover pela mata. Ele foi se arrastando e conseguiu chegar até a praia e no sábado, dia 24, foi avistado por moradores que chamaram os bombeiros que estavam fazendo um treinamento lá perto e fizeram o resgate. Foi levado ao hospital, recebeu o atendimento necessário, mas precisou ser encaminhado para Rio Branco devido aos ferimentos graves”, disse Correia.

A vice-coordenadora da Pastoral do Migrante das Cáritas Diocesana, Aurinete Brasil, informou que teve conhecimento do caso e que vai acompanhar a situação.

A missionária católica Joaninha Honório, do grupo Cidadania e Mobilidade Humana, uma rede que trabalha no enfrentamento ao tráfico de pessoas com migrantes, disse que também está acompanhando o caso.

Assis Brasil recebe constantemente imigrantes que querem entrar no Peru — Foto: Arquivo/Prefeitura

Assis Brasil recebe constantemente imigrantes que querem entrar no Peru — Foto: Arquivo/Prefeitura

Fluxo migratório

Em fevereiro deste ano, a Ponte da Integração, que liga a cidade acreanan de Assis Brasil a Iñapari, no Peru, foi ocupada por mais de 300 imigrantes. Na época, o município chegou a ter mais de 600 imigrantes, sendo que alguns ficavam nos dois abrigos montados pela prefeitura e outros acampados na ponte. Nesta segunda-feira (26), há cerca de 25 imigrantes na casa de passagem.

A crise migratória resultou na visita do secretário Nacional de Assistência Social, do Ministério da Cidadania, Miguel Ângelo Gomes, que esteve no dia 19 de março em Assis Brasil para ver a situação.

Gomes se reuniu com o governador da Província de Madre De Dios, Luis Guillermo Hidalgo Okimura, e o prefeito de Iñapari, Abraão Cardoso. Na conversa, segundo a Agência do Governo do Acre, as autoridades peruanas informaram que o país avaliava uma forma de abrir a fronteira para liberar a passagem dos imigrantes.

Foi então que a União pediu a reintegração de posse contra os imigrantes que estavam acampados na ponte e a Justiça Federal deferiu o pedido no início de março. Desde então, o número de imigrantes na cidade do interior do Acre reduziu muito e a prefeitura desativou os abrigos montados em escolas. Um novo abrigo, com capacidade para 50 pessoas, foi instalado para receber os imigrantes que chegam ao município.

Rotas

São duas situações que fizeram com que o número de imigrantes crescesse na cidade de Assis Brasil; a primeira, a de imigrantes que entraram no Brasil entre 2010 e 2016 em busca de uma vida melhor e, com a crise da pandemia, tentam sair do país para seguir viagem até México, Canadá, Estados Unidos e outros países.

A segunda é que o Peru, mesmo fechando a passagem para a entrada de imigrantes, libera a saída deles para o lado brasileiro, então, é uma porta de entrada para venezuelanos que buscam melhores em estados brasileiros.

Alguns dos imigrantes retidos no Acre também tentam uma rota alternativa para chegar na Bolívia e de lá seguir viagem.

Por estar na fronteira do Brasil com o Peru, o município de Assis Brasil continua registrando um fluxo migratório considerável. O secretário afirmou que os grupos têm encontrado rotas alternativas para passar para o Peru, mesmo com a fronteira fechada e, por isso, não ficam mais retidos no abrigo da cidade.

O movimento na cidade é tanto de imigrantes que chegam pelo Peru com destino às cidades brasileiras como aqueles que querem deixar o Brasil e encontram meios alternativos para passar.

Com a Ponte da Integração fechada, muitos conseguem atravessar de barco e depois pagam os chamados coiotes para seguir viagem pelo Peru até chegar em outros países.

Em fevereiro, imigrantes chegaram a ficar acampados na ponte que liga o Acre ao Peru — Foto: Raylanderson Frota/Arquivo pessoal

Em fevereiro, imigrantes chegaram a ficar acampados na ponte que liga o Acre ao Peru — Foto: Raylanderson Frota/Arquivo pessoal

Crise migratória

A situação dos imigrantes começou a ficar tensa no interior do Acre no dia 14 de fevereiro, quando eles deixaram os abrigos que ocupavam e se concentraram na Ponte da Integração. No dia 16, os estrangeiros enfrentaram a polícia peruana e invadiram a cidade de Iñapari, no lado peruano da fronteira. Depois de confronto, o grupo foi mandado de volta para Assis Brasil.

Os estrangeiros tentavam sair do Brasil usando o Acre como rota. A ponte já chegou a ser ocupada por pelo menos 300 imigrantes, na maioria haitianos. Mais de 130 caminhões chegaram a ficar retidos tanto do lado brasileiro como no peruano e o prejuízo é calculado em mais de R$ 600 mil.

G1.globo.com.br

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